A Nvidia confirmou nesta segunda-feira (29) a aquisição de aproximadamente US$ 5 bilhões em ações da Intel, o equivalente a cerca de R$ 27,8 bilhões em conversão direta. A operação marca um novo capítulo na relação entre duas das maiores empresas do setor de semicondutores.
O negócio envolve a compra de 214,7 milhões de ações da Intel, ao preço fixo de US$ 23,28 por papel, em uma negociação privada. Como a transação não utilizou ações disponíveis no mercado, ela não altera diretamente a movimentação da Bolsa. Com isso, a Nvidia, atual empresa mais valiosa do mundo e dona das placas GeForce, passa a controlar cerca de 4% da concorrente.
Apesar do impacto simbólico, a aquisição não chega a ser uma surpresa. A compra de participação acionária fazia parte de um acordo estratégico anunciado pelas duas companhias em setembro de 2025. O atraso se deu por questões regulatórias, agora resolvidas, o que libera também as demais etapas previstas na parceria.
A virada da Intel após a crise
A aproximação com a Nvidia é apenas uma das iniciativas que ajudaram a Intel a reagir a um dos períodos mais turbulentos de sua história recente. Em 2024, a empresa enfrentou prejuízos consecutivos, mudanças na liderança e cortes significativos de pessoal, o que levou a um amplo plano de reestruturação.
Entre as principais medidas adotadas estão o foco em chips de alto desempenho e uma tentativa acelerada de reposicionamento no mercado de inteligência artificial, onde a empresa havia perdido espaço. O esforço contou com apoio externo: o governo dos Estados Unidos adquiriu cerca de 10% da Intel, em uma movimentação estratégica para fortalecer uma companhia vista como peça-chave da indústria nacional de tecnologia. O SoftBank também entrou como investidor relevante.
Dentro dessa estratégia, o acordo com a Nvidia prevê que a Intel passe a fabricar chips baseados em uma arquitetura customizada de 86 bits, voltados principalmente para data centers. O movimento reforça a ambição da empresa de voltar a ter protagonismo na produção de semicondutores avançados.
Os primeiros sinais de recuperação começaram a aparecer no terceiro trimestre de 2025, quando a Intel registrou crescimento de receita e conseguiu reverter um prejuízo expressivo em comparação ao mesmo período do ano anterior. Embora o processo de reestruturação ainda esteja em andamento, os investimentos recentes e a parceria com a Nvidia trouxeram um alívio financeiro e devolveram parte da confiança do mercado na companhia.
O cenário deixa claro que, mais do que rivais, Nvidia e Intel agora também jogam no mesmo tabuleiro estratégico, em um setor onde alianças podem ser tão importantes quanto a competição direta.