Golpe no WhatsApp usa imagens de visualização única para extorquir vítimas

Uma nova modalidade de fraude está se espalhando pelo WhatsApp e chama atenção pelo uso de um recurso pensado para proteger a privacidade: a visualização única. Denunciado por usuários nas redes sociais, o esquema mistura engenharia social com extorsão e transforma a simples curiosidade da vítima em uma armadilha.

O golpe começa quando o criminoso envia uma imagem configurada para ser vista apenas uma vez. O conteúdo costuma ser extremamente sensível ou ilegal, como cenas de violência, pornografia ou até material de abuso infantil. No momento em que a vítima abre a imagem, o golpista recebe a confirmação de leitura e passa a ter o que precisa para iniciar a chantagem.

Como funciona a extorsão

Esse tipo de ataque se encaixa no que especialistas chamam de phishing com extorsão. Em vez de tentar roubar senhas ou dados bancários, o criminoso cria uma situação comprometedora. A visualização da imagem vira uma suposta “prova” de que a vítima teria acessado algo ilegal.

A partir daí, começa a pressão psicológica. O golpista afirma que a pessoa está sendo investigada, que seus dados já foram enviados às autoridades ou que sua reputação será exposta. O objetivo é gerar medo e urgência para forçar um pagamento rápido. Mesmo quem não cometeu nenhum crime pode acabar cedendo para evitar constrangimentos ou problemas.

O que diz a lei no Brasil

A legislação brasileira trata esse tipo de prática como crime grave. A extorsão, prevista no artigo 158 do Código Penal, pode render de quatro a dez anos de prisão, além de multa. Se mais de uma pessoa participa do golpe, a pena pode aumentar.

Quando há uso de meios digitais, o caso também pode ser enquadrado como estelionato eletrônico, com penas de quatro a oito anos de reclusão, conforme a Lei 14.155/2021. Se houver invasão de dispositivos ou manipulação de dados, entra em cena ainda a Lei Carolina Dieckmann, que pune a invasão de dispositivos informáticos.

As punições ficam ainda mais pesadas quando as vítimas são idosas ou pessoas em situação de vulnerabilidade.

Como reduzir o risco de cair no golpe

A principal defesa é o comportamento do usuário. Mensagens de números desconhecidos com imagens ou vídeos em visualização única devem ser ignoradas, por mais curiosas que pareçam. Golpistas contam justamente com o impulso de clicar.

Também é importante desconfiar de qualquer contato que tente criar pânico ou urgência. Autoridades e advogados não fazem ameaças ou cobranças por WhatsApp. Pressão para pagar rápido é um sinal clássico de fraude.

Outra medida útil é desativar as confirmações de leitura nas configurações de privacidade do WhatsApp, o que impede que o remetente saiba se a mensagem foi aberta. Limitar quem pode ver sua foto de perfil e seus dados pessoais também reduz a chance de um criminoso montar um perfil sobre você.

Ao receber algo suspeito, o melhor caminho é bloquear e denunciar o contato diretamente no aplicativo. Isso ajuda a plataforma a identificar e derrubar contas usadas em golpes.

Conteúdo ilegal é crime, mesmo fora do golpe

Vale lembrar que materiais envolvendo abuso sexual infantil são crimes gravíssimos no Brasil. Produzir, armazenar ou compartilhar esse tipo de conteúdo é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pode levar a anos de prisão. Por isso, além de ser uma ferramenta de chantagem, esse tipo de arquivo também expõe quem o envia a consequências legais severas.

Golpes como esse mostram como recursos criados para dar mais privacidade podem ser distorcidos por criminosos. No fim das contas, a melhor proteção ainda é uma combinação de tecnologia, atenção e desconfiança saudável no mundo digital.