Um caso recente em São José do Rio Preto (SP) mostrou, na prática, como tecnologia e segurança pública podem trabalhar juntas. Um homem que descumpriu uma medida protetiva foi preso após a própria vítima acionar o botão do pânico do aplicativo SP Mulher Segura, plataforma criada pelo Governo do Estado de São Paulo.
O agressor, de 31 anos, estava proibido por decisão judicial, desde junho de 2025, de se aproximar da própria mãe, de 58 anos, por histórico de agressões. Mesmo assim, ele pulou o muro da casa e invadiu o imóvel. A vítima, percebendo o risco, usou o app para pedir ajuda em tempo real. Em poucos minutos, guardas municipais chegaram ao local e efetuaram a prisão, encaminhando o suspeito à Delegacia de Defesa da Mulher.
Como funciona o botão do pânico
O SP Mulher Segura foi pensado para conectar mulheres em situação de risco diretamente às forças de segurança. O botão do pânico é o recurso mais crítico da plataforma.
Quando a usuária, previamente cadastrada, aciona o botão no celular, o aplicativo envia automaticamente sua localização em tempo real para as centrais de segurança pública. O sistema identifica as viaturas mais próximas e direciona o atendimento de forma imediata, reduzindo drasticamente o tempo de resposta.
Segundo a delegada Cristiane Braga, a velocidade é o fator-chave: ao receber a localização pelo sistema de geolocalização, as equipes conseguem agir em minutos, o que faz toda a diferença para evitar agressões mais graves ou até mortes.
A escala do uso da plataforma
Desde março de 2024 até dezembro de 2025, o botão do pânico já foi acionado mais de 6,9 mil vezes em todo o estado de São Paulo. Atualmente, o aplicativo conta com 37,6 mil usuárias ativas e já permitiu o registro de cerca de 1,6 mil boletins de ocorrência diretamente pela plataforma.
Na prática, o app virou uma camada digital de proteção para mulheres que já possuem medida protetiva ou vivem sob risco constante.
Integração com Gov.br e tornozeleiras eletrônicas
O cadastro no SP Mulher Segura é feito por meio da conta Gov.br, o que permite validar automaticamente se a usuária possui uma medida protetiva ativa. Se o agressor estiver usando tornozeleira eletrônica, o sistema cruza os dados de localização dos dois.
Caso o agressor tente se aproximar além do limite definido pela Justiça, o app dispara alertas para as forças de segurança antes mesmo de qualquer contato físico acontecer.
Onde baixar
O SP Mulher Segura é gratuito e está disponível para Android e iOS. Além do botão do pânico, o aplicativo permite registrar boletins de ocorrência online e acessar informações sobre serviços de apoio, proteção e acolhimento às vítimas.
É um exemplo claro de como software, dados e geolocalização, quando bem integrados, deixam de ser só tecnologia e passam a ser infraestrutura de proteção real.