Pesquisadores de segurança descobriram uma nova vulnerabilidade no GitHub que pode permitir o vazamento de códigos, senhas e informações confidenciais de empresas sem a necessidade de instalar vírus ou malware. A falha, chamada de GitLost, explora o funcionamento de recursos de inteligência artificial integrados à plataforma, tornando o ataque simples e difícil de detectar.
A descoberta foi feita pela empresa Noma Security, que informou o GitHub sobre o problema. Segundo a plataforma, algumas orientações de segurança já foram atualizadas para reduzir os riscos.
O que é a falha GitLost?
A vulnerabilidade afeta os chamados Agentic Workflows, recursos do GitHub que utilizam inteligência artificial, como o GitHub Copilot, para automatizar tarefas durante o desenvolvimento de software.
Esses assistentes conseguem interpretar comandos escritos em linguagem natural para executar diversas ações automaticamente. O problema é que, em determinadas situações, eles podem interpretar instruções maliciosas como se fossem comandos legítimos.
Como o ataque funciona?
O golpe utiliza uma técnica conhecida como injeção de prompt (Prompt Injection).
Na prática, o invasor cria um texto aparentemente comum, como uma dúvida em um chamado de suporte ou um comentário em um projeto. Porém, dentro dessa mensagem existem instruções ocultas destinadas à inteligência artificial.
Ao interpretar esse conteúdo, a IA pode ignorar suas regras de segurança e acabar acessando repositórios privados, copiando códigos-fonte, credenciais e outras informações confidenciais da empresa.
Ataque não exige conhecimento avançado
Um dos pontos que mais preocupam os pesquisadores é a simplicidade da exploração.
Segundo a Noma Security, o atacante não precisa desenvolver um malware nem explorar uma falha complexa. Em muitos casos, basta criar um texto bem elaborado em inglês para convencer a inteligência artificial a executar ações indevidas.
Os pesquisadores observaram ainda que pequenas alterações na mensagem, como a inclusão da palavra “Additionally” (“Além disso”), podem ser suficientes para confundir o sistema e aumentar as chances de sucesso do ataque.
Comparação com o SQL Injection
Especialistas compararam o GitLost ao tradicional SQL Injection, uma das vulnerabilidades mais conhecidas da história da segurança digital.
A diferença é que, em vez de explorar bancos de dados, o GitLost manipula modelos de inteligência artificial por meio de comandos escritos em linguagem natural.
Para os pesquisadores, esse tipo de ataque evidencia um novo desafio para empresas que utilizam IA em processos automatizados.
Como empresas podem se proteger
A recomendação da Noma Security é limitar ao máximo as permissões concedidas aos assistentes de IA.
Entre as principais medidas estão:
- Restringir o acesso da IA apenas ao projeto em que ela está trabalhando;
- Evitar permissões globais para acessar vários repositórios;
- Configurar as automações para que mensagens enviadas por usuários nunca sejam tratadas como comandos internos;
- Revisar regularmente as permissões dos agentes de inteligência artificial.
Essas práticas ajudam a reduzir o risco de vazamento de informações caso alguém tente explorar a vulnerabilidade.
IA traz produtividade, mas também novos desafios
O caso do GitLost mostra que a adoção de inteligência artificial no desenvolvimento de software exige cuidados cada vez maiores com segurança.
À medida que assistentes inteligentes ganham mais autonomia para executar tarefas, também surgem novas formas de ataque que exploram a maneira como esses sistemas interpretam comandos. Por isso, além de manter as ferramentas atualizadas, especialistas recomendam que empresas revisem constantemente as permissões e os controles de segurança aplicados às soluções baseadas em IA.