Os bastidores do mercado global de inteligência artificial ganharam mais um capítulo de alta tensão. A gigante chinesa Alibaba anunciou que vai banir o uso de ferramentas da Anthropic — incluindo o assistente focado em programação Claude Code — para fins corporativos por seus colaboradores.
A decisão de incluir as soluções da startup norte-americana em uma lista interna de softwares de alto risco baseia-se em supostas ameaças de segurança, com alegações de que as ferramentas poderiam conter backdoors (portas dos fundos para acesso não autorizado). As informações foram reveladas pela CNBC.
Com a proibição, os funcionários da empresa são obrigados a desinstalar os agentes da Anthropic e migrar para o Qoder, o assistente de IA proprietário da própria Alibaba.
O estopim: Acusações de espionagem e “ataque de destilação”
A medida da Alibaba não acontece no vácuo. Ela surge como uma aparente retaliação a movimentos recentes da Anthropic no cenário político e técnico:
- A denúncia nos EUA: Em junho, a Anthropic enviou uma carta ao Comitê do Senado dos EUA acusando a Alibaba de tentar extrair capacidades de seus modelos de forma ilícita. A startup classificou a ação como “o maior ataque de destilação conhecido” já sofrido por ela.
- Bloqueio geográfico oculto: Paralelamente, comunidades no Reddit e GitHub descobriram linhas de código ocultas nos produtos da Anthropic projetadas especificamente para rastrear e detectar se os usuários estavam acessando a plataforma a partir da China — país que já é oficialmente restrito pelos termos de serviço da empresa norte-americana.
O que é ataque de destilação? No contexto de IA, ocorre quando uma empresa utiliza as respostas de um modelo concorrente mais avançado (neste caso, o Claude) para treinar e aprimorar sua própria inteligência artificial de forma mais rápida e barata, violando termos de propriedade intelectual.
Cerco fechado contra o uso de IAs ocidentais na China
A movimentação da Alibaba reflete um esforço coordenado do setor de tecnologia para conter o vazamento de dados e o uso de ferramentas estrangeiras. De acordo com o Financial Times, a Anthropic está fechando ativamente brechas que permitiam a engenheiros chineses contornar restrições geográficas.
Outras gigantes do país também estão sob os holofotes:
- Ant Group: A empresa de fintech teria facilitado o acesso corporativo ao Claude por meio de sua intranet conectada a uma subsidiária em Singapura.
- ByteDance: A dona do TikTok mantinha uma política flexível que reembolsava assinaturas pessoais de ferramentas de IA (acessadas via VPN) para que seus engenheiros pudessem “experimentar e aprender” com a concorrência.
Até o momento, Alibaba, Anthropic, Ant Group e ByteDance não emitiram pronunciamentos oficiais sobre o caso. O episódio, contudo, consolida a fragmentação do ecossistema de IA em blocos geopolíticos cada vez mais isolados.