Venezuela registra pico de downloads de VPNs e proxies após operação militar dos EUA

O número de downloads de aplicativos de VPN, proxy e carteiras digitais cresceu de forma significativa na Venezuela na tarde deste sábado (03). O aumento ocorre após a invasão de forças dos Estados Unidos ao território venezuelano com o objetivo de prender o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Dados das plataformas SimilarWeb e Appfigures indicam que, no Android, os aplicativos mais baixados no país foram LatLon VPN, ThetaProxy, Kontigo App, Alpha Protect VPN e Squeak Proxy. Já entre usuários de iOS, além de serviços de VPN, houve uma alta expressiva no download de redes sociais e aplicativos de comunicação, como X, Threads, VPN – Super Unlimited Proxy e Proton VPN.

O movimento não é isolado. Bloqueios a serviços que oferecem navegação segura e comunicação criptografada fazem parte da realidade venezuelana há anos. No início de 2025, cerca de 40 serviços de DNS públicos foram bloqueados no país, incluindo o 8.8.8.8, do Google, e o 1.1.1.1, da Cloudflare. Na mesma onda de restrições, também foram afetadas diversas VPNs e o aplicativo TikTok, segundo a organização VEsinFiltro.

Durante a madrugada de sábado, moradores de Caracas relataram um cenário de caos, com explosões, incêndios, blecautes e interrupções no fornecimento de energia elétrica e internet. Também foram registrados sobrevoos de helicópteros militares. A operação teria sido conduzida pela Delta Force, unidade de elite do Exército dos Estados Unidos, responsável pela ação que visava a captura do chefe de Estado venezuelano.

O aumento repentino no uso de VPNs e proxies reforça um padrão comum em contextos de instabilidade política e conflitos armados: a busca da população por meios de contornar censura, manter acesso à informação e preservar a comunicação em ambientes digitais cada vez mais restritos.