Cartões de crédito roubados são vendidos por até R$ 57 na Dark Web

Um cartão de crédito roubado pode ser vendido por cerca de US$ 10,70 (R$ 57) na Dark Web, de acordo com um levantamento da NordVPN. O relatório mostra como informações financeiras são precificadas e negociadas nesse submundo digital, onde dados pessoais se tornaram uma das mercadorias mais valiosas do crime cibernético.

A pesquisa, realizada pela NordStellar, analisou 50.705 cartões de crédito anunciados em fóruns da Dark Web até maio de 2025. O estudo revela um ecossistema criminoso bem estruturado, dividido em etapas: há quem roube os dados, quem valide as informações e quem converta o material em lucro. Em muitos casos, os cartões roubados continuam ativos por mais de um ano, sendo vendidos em grandes lotes.

Brasil entre os principais alvos

O Brasil aparece como um dos países mais visados nas operações de carding — o comércio de cartões de crédito roubados. A valorização é explicada pela lei básica de mercado: quanto mais difícil é roubar ou validar os dados, mais caros eles ficam.

Enquanto o preço médio global de um cartão roubado se mantém em US$ 8 (R$ 43), o valor no Brasil subiu 26% desde o último estudo, de US$ 8,47 (R$ 45) para US$ 10,70 (R$ 57,50). Segundo o relatório, o aumento reflete a evolução das medidas de segurança bancária, que tornam o roubo e uso fraudulento mais complexos — reduzindo a oferta e elevando o preço.

Cartões roubados por menos de R$ 6

Em contraste, países como a República Democrática do Congo têm cartões sendo vendidos por apenas US$ 0,94 (R$ 5), seguidos por Geórgia e Barbados, onde a média fica em torno de US$ 1,30 (R$ 6,30).

Na América Latina, o Uruguai e o Paraguai aparecem entre os dez países com cartões mais baratos, com valores médios de US$ 2,32 (R$ 12,30) e US$ 3,23 (R$ 17,20), respectivamente.

Apesar dos preços baixos, os países com maior número de cartões roubados são outros: Estados Unidos (60%), Singapura (11%) e Espanha (10%) lideram o ranking. Nenhum país latino-americano figura entre os dez mais afetados.

Onde os cartões valem mais

Os cartões mais caros do mundo estão no Japão, com valor médio de US$ 22,80 (R$ 121), seguidos por Cazaquistão (US$ 16,87) e Guam (US$ 16,50). A razão é simples: quanto mais longa a validade dos dados, maior o valor. Cartões com data de expiração distante são considerados mais úteis e lucrativos pelos criminosos.

Como se proteger de fraudes

Embora não exista forma de evitar completamente o roubo de dados, algumas práticas ajudam a reduzir os riscos e dificultar o uso de informações roubadas:

  • Monitore extratos e movimentações com frequência;

  • Ative alertas de transações no app do banco;

  • Use senhas fortes e exclusivas em cada serviço;

  • Evite salvar cartões em navegadores;

  • Ative autenticação multifator (MFA);

  • Utilize ferramentas de monitoramento da Dark Web;

  • Compre apenas em sites seguros, que usem “https://” e certificados válidos.

Essas medidas reduzem o impacto de vazamentos e tornam o uso de dados roubados menos vantajoso para cibercriminosos.

O que é a Dark Web

A Dark Web é uma parte da Deep Web — camada da internet que não aparece em motores de busca comuns, como o Google. Embora boa parte da Deep Web seja legítima (como redes corporativas, serviços de e-mail ou bancos de dados acadêmicos), a Dark Web abriga mercados ilegais, onde são vendidos drogas, armas, documentos falsos e dados pessoais.

É nesse ambiente anônimo e fora do alcance das leis tradicionais que o comércio de cartões roubados prospera, sustentado por um mercado bilionário que continua evoluindo à medida que a segurança digital se fortalece.