Nova técnica no Windows pode bloquear arquivos sem criptografia e simular ataque de ransomware

Um pesquisador de segurança revelou uma nova técnica que pode bloquear o acesso a arquivos em redes corporativas utilizando apenas um recurso legítimo do sistema operacional Windows.

A ferramenta, chamada GhostLock, foi criada por Kim Dvash, da Israel Aerospace Industries, e publicada no GitHub como prova de conceito.

O objetivo é alertar empresas sobre um tipo de ataque que pode causar paralisação operacional semelhante à de um ransomware, mas sem criptografar, apagar ou alterar qualquer arquivo.

Como funciona o ataque

A técnica explora uma função nativa do Windows chamada CreateFileW.

Essa função é amplamente utilizada por programas comuns, como editores de texto e planilhas, para abrir arquivos.

Ela possui um parâmetro chamado dwShareMode, responsável por definir se outros programas podem acessar o mesmo arquivo simultaneamente.

Quando esse parâmetro recebe o valor zero, o sistema coloca o arquivo em modo exclusivo.

Na prática, isso significa que nenhum outro usuário ou programa consegue abrir aquele arquivo enquanto o bloqueio estiver ativo.

Esse comportamento é normal e faz parte do funcionamento do Windows.

O diferencial do GhostLock está em usar esse recurso de forma massiva.

Bloqueio em larga escala

A ferramenta foi desenvolvida em Python e utiliza múltiplas tarefas paralelas para percorrer rapidamente grandes volumes de arquivos.

Segundo o pesquisador, em uma rede com cerca de 500 mil arquivos, o bloqueio completo pode ser realizado em menos de dez minutos.

Durante esse período, qualquer tentativa de acesso resulta em erro.

Para os usuários da rede, o impacto é muito parecido com o de um ataque de ransomware:

  • Arquivos ficam inacessíveis
  • Processos são interrompidos
  • Operações podem parar completamente

A diferença é que nenhum dado foi alterado ou sequestrado.

Não exige acesso administrativo

Um dos pontos mais preocupantes é que o ataque não depende de permissões elevadas.

Qualquer usuário com acesso comum à rede corporativa pode executá-lo.

Isso inclui:

  • Funcionários com contas padrão
  • Dispositivos comprometidos por invasores
  • Máquinas infectadas dentro da rede

A técnica também funciona em compartilhamentos de rede via protocolo SMB, amplamente utilizado em empresas para armazenamento centralizado.

Se a conexão for interrompida, o atacante pode simplesmente se reconectar e repetir o processo.

Difícil de detectar

Ferramentas tradicionais de segurança normalmente monitoram ações como:

  • Criação de arquivos
  • Exclusão
  • Modificação
  • Criptografia

Como o GhostLock não realiza nenhuma dessas ações, ele pode passar despercebido.

O único sinal visível aparece em métricas avançadas de administração de servidores, que mostram quantos arquivos estão abertos em modo exclusivo.

Essas informações geralmente não fazem parte dos logs padrão e raramente são monitoradas pelas equipes de segurança.

A boa notícia: os dados não são perdidos

Diferente de um ransomware real, o GhostLock não causa destruição permanente.

Assim que a sessão responsável pelo bloqueio é encerrada, o próprio Windows libera automaticamente todos os arquivos.

Isso pode acontecer de forma manual, pela equipe de TI, ou com a reinicialização do servidor.

O acesso é restaurado imediatamente.

O maior desafio é a identificação

Segundo o pesquisador, o principal problema não é a recuperação, mas sim descobrir rapidamente o que está acontecendo.

Muitas equipes de resposta a incidentes estão preparadas para lidar com malware tradicional, mas nem sempre possuem conhecimento profundo em administração de armazenamento corporativo.

Essa lacuna pode aumentar o tempo de paralisação.

Por que a ferramenta foi publicada

Dvash afirmou que o GhostLock foi disponibilizado publicamente para que empresas possam testar seus ambientes e verificar se conseguem detectar esse tipo de comportamento antes que ele seja explorado de forma maliciosa.

O caso mostra que nem toda ameaça depende de falhas de segurança.

Às vezes, recursos legítimos de um sistema podem ser explorados de maneiras inesperadas, criando novos desafios para a proteção de ambientes corporativos.