Polícia Federal investiga uso de linhas telefônicas registradas em nome de pessoas mortas

Dois policiais federais passaram a ser investigados após a descoberta do uso de linhas telefônicas cadastradas em nome de pessoas falecidas. Segundo as investigações, os números teriam sido utilizados para manter contato com um auditor fiscal suspeito de participação em um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis.

A descoberta aconteceu durante a Operação Sem Refino, realizada pela Polícia Federal na última sexta-feira.

Auditor fiscal é alvo da investigação

As apurações identificaram que os agentes investigados mantinham contato com Carlos Eduardo França de Araújo, auditor fiscal acusado de envolvimento em fraudes relacionadas à Refit.

Ao analisar o celular do auditor, os investigadores encontraram números telefônicos registrados em nome de pessoas já falecidas.

Segundo a polícia, o objetivo seria dificultar a identificação dos envolvidos e esconder rastros da comunicação.

Como o golpe funciona

O uso de identidades de pessoas mortas para registrar linhas telefônicas explora falhas na atualização de sistemas públicos e privados.

Quando uma pessoa morre, a informação precisa passar por diversos órgãos até que todos os bancos de dados sejam atualizados oficialmente.

Esse processo pode levar tempo.

Durante esse intervalo, criminosos conseguem usar CPFs que ainda aparecem como ativos para contratar serviços, abrir contas ou registrar chips telefônicos.

Especialistas afirmam que o problema pode ser ainda maior em casos de pessoas sem herdeiros ou sem bens, já que a atualização dos registros costuma demorar mais.

Como criminosos conseguem os dados

Segundo Hiago Kin, presidente do Instituto Brasileiro de Resposta a Incidentes Cibernéticos, existem três principais caminhos usados nesse tipo de fraude:

  • Uso de dados vazados na internet
  • Compra de chips pré-pagos com validação menos rigorosa
  • Falhas no processo de verificação de identidade

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre quais operadoras estariam envolvidas no caso.

Anatel quer reforçar controle de identificação

A Anatel vem ampliando as exigências para cadastro de linhas telefônicas.

A agência planeja implementar biometria facial obrigatória para ativação de novos chips até o fim de 2026.

Em alguns casos, já é necessário enviar selfie e documentos durante o cadastro.

A medida busca reduzir fraudes envolvendo identidade falsa e golpes financeiros.

Operadoras também têm responsabilidade

As operadoras são obrigadas a manter os dados cadastrais atualizados.

Isso inclui cancelar ou transferir a titularidade de linhas após o falecimento do titular.

Segundo especialistas, porém, ainda existem diferenças nos processos de validação entre linhas pré-pagas e pós-pagas, o que pode abrir espaço para fraudes.

A Anatel já aplicou mais de R$ 73 milhões em multas relacionadas a irregularidades cadastrais.

O que dizem os envolvidos

A defesa do ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, afirmou ter sido surpreendida pela operação e declarou que ele está à disposição da Justiça.

Os advogados afirmam que todas as medidas adotadas durante sua gestão seguiram critérios técnicos e legais.

Também destacaram que a Procuradoria Geral do Estado moveu ações contra a Refit para cobrança de débitos tributários.

Refit nega irregularidades

A Refit afirmou que as questões tributárias serão discutidas judicialmente e administrativamente.

Segundo a empresa, a atual gestão herdou passivos acumulados de administrações anteriores e vem trabalhando para regularizar a situação.

A companhia também negou fraudes fiscais e qualquer ligação com o crime organizado.

Em nota, a empresa declarou que laudos técnicos apontam que os produtos importados foram corretamente declarados e afirmou que já denunciou postos ligados a facções criminosas em outras ocasiões.

Caso levanta alerta sobre fraudes de identidade

A investigação evidencia como falhas em sistemas de validação de identidade ainda podem ser exploradas para ocultar atividades ilegais.

Especialistas em segurança alertam que o uso de dados de pessoas falecidas continua sendo uma prática recorrente em golpes financeiros, fraudes digitais e crimes de ocultação de identidade.