Uma nova modalidade de ataque cibernético chamou a atenção de pesquisadores de segurança após um hacker utilizar agentes de inteligência artificial para atacar mais de 1.200 sites e conseguir invadir sistemas de mais de 100 empresas. Entre as organizações afetadas estavam grandes companhias como Deere, SharkNinja e Cummins.
O diferencial desse caso foi o uso de inteligência artificial para automatizar praticamente todo o processo de invasão. Em vez de executar manualmente cada etapa do ataque, o criminoso utilizou agentes inteligentes capazes de testar diferentes vulnerabilidades, analisar respostas dos sistemas e adaptar estratégias automaticamente.
Segundo o pesquisador Snorre Fagerland, da empresa NorForge, a operação foi relativamente barata quando comparada ao alcance obtido. Estima-se que o invasor tenha gasto cerca de US$ 5 mil em créditos de inteligência artificial para conduzir toda a campanha.
Os agentes trabalhavam de forma semelhante a um operador humano, mas com muito mais persistência. Em alguns casos, passaram aproximadamente 23 horas realizando testes contínuos até encontrar uma brecha que permitisse a invasão. A automação tornou possível atacar centenas de alvos simultaneamente, algo que seria extremamente difícil para uma única pessoa realizar manualmente.
As investigações apontam que o hacker utilizou instruções muito simples, com menos de 100 caracteres em chinês, para orientar os sistemas automatizados. Mesmo com comandos curtos, os agentes foram capazes de identificar vulnerabilidades e executar tentativas de invasão em larga escala.
O episódio reforça uma preocupação crescente no setor de cibersegurança: a inteligência artificial está tornando os ataques mais acessíveis, rápidos e eficientes. Ferramentas que antes eram utilizadas apenas por especialistas altamente capacitados agora podem ser operadas com um nível muito menor de conhecimento técnico.
Especialistas alertam que empresas precisarão investir cada vez mais em monitoramento e proteção automatizada para enfrentar ameaças desse tipo. A tendência é que criminosos continuem explorando recursos de IA para ampliar a escala de suas operações nos próximos anos.