Ford dispara na bolsa após entrar no mercado de energia para IA e data centers

A tradicional montadora Ford Motor Company, fundada há mais de 120 anos, tornou-se uma das mais novas empresas da chamada “velha economia” a surfar a onda da inteligência artificial.

As ações da companhia dispararam 21% em apenas dois dias após o anúncio de uma nova divisão focada em armazenamento de energia para data centers e hyperscalers de IA — empresas responsáveis por operar gigantescas infraestruturas computacionais usadas por plataformas de inteligência artificial.

O movimento chamou atenção de Wall Street ao colocar a Ford em um dos setores mais aquecidos do mercado global atualmente: a corrida por energia para sustentar a expansão da IA.

Ford quer fornecer baterias para data centers de IA

A nova divisão criada pela Ford será responsável pelo fornecimento de grandes sistemas de baterias voltados ao armazenamento energético para data centers e operações ligadas à inteligência artificial.

Poucos dias após o anúncio, a empresa informou ter fechado o primeiro grande contrato da nova operação: um acordo de cinco anos com a EDF para fornecer até 20 GWh de energia.

O negócio reforçou a percepção do mercado de que a Ford pode abrir uma nova frente de crescimento em um segmento com margens potencialmente maiores do que o setor automotivo tradicional.

IA está criando novas oportunidades para empresas industriais

Segundo projeções da BloombergNEF citadas no relatório, a demanda por sistemas de armazenamento de energia nos Estados Unidos deve dobrar até 2030.

O crescimento acontece principalmente por causa da expansão acelerada de data centers e operações de inteligência artificial, que exigem enorme capacidade energética.

Além da Ford, outras companhias industriais tradicionais também vêm sendo impulsionadas pela corrida da IA, incluindo:

  • Caterpillar Inc.
  • Johnson Controls
  • Corning Inc.

Relatório do Morgan Stanley impulsionou otimismo

Parte do entusiasmo do mercado ganhou força após um relatório divulgado em 13 de maio por Andrew Percoco, analista do Morgan Stanley.

No documento, o analista estimou o novo negócio de energia da Ford em aproximadamente US$ 10 bilhões, cerca de R$ 50 bilhões em conversão direta.

O relatório também apontou potencial para contratos futuros com hyperscalers e grandes clientes corporativos ligados ao setor de IA.

CEO da Ford reforçou expectativa de crescimento

Durante a assembleia anual de acionistas, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que a empresa já observa “interesse tremendo dos clientes” no novo segmento.

A entrada da montadora nesse mercado ocorreu após a desaceleração da demanda por veículos elétricos nos Estados Unidos.

A Ford havia firmado parceria com a fabricante chinesa de baterias Contemporary Amperex Technology, conhecida como CATL, inicialmente focada na produção de baterias para veículos elétricos.

Tecnologia da CATL será reaproveitada

Mesmo com a mudança de estratégia, a tecnologia da CATL continuará sendo usada em uma nova picape elétrica de US$ 30 mil prevista para o próximo ano.

Porém, diante do desempenho abaixo do esperado do mercado de carros elétricos nos EUA, a Ford decidiu redirecionar parte da tecnologia para aplicações de armazenamento energético em larga escala.

A mudança reflete uma tendência crescente entre empresas industriais: aproveitar infraestrutura já desenvolvida para atender a demanda explosiva criada pela inteligência artificial.

Mercado ainda avalia potencial da nova operação

Apesar da forte valorização inicial, as ações da Ford devolveram parte dos ganhos nos dias seguintes.

Ainda assim, analistas seguem otimistas sobre o potencial de longo prazo da nova divisão.

O BNP Paribas estima que, caso o investimento de US$ 2 bilhões da Ford no segmento seja bem-sucedido, a operação poderá gerar retorno de até 22% até o final da década.

Para uma montadora tradicional de Detroit, retornos de dois dígitos nesse nível são considerados incomuns.

O caso também mostra como a inteligência artificial está criando oportunidades não apenas para empresas de tecnologia, mas também para setores industriais clássicos que conseguem se reposicionar dentro da nova economia digital.