Falha crítica na extensão do Claude para Chrome permitia controle remoto do assistente de IA

Uma vulnerabilidade na extensão oficial do Claude para o Google Chrome transformava uma simples navegação em um risco real de segurança. Bastava acessar uma página maliciosa para que um atacante pudesse assumir o controle do assistente de IA da vítima, injetando comandos como se fossem ações legítimas do usuário.

A falha, identificada como ShadowPrompt, foi corrigida na versão 1.0.41 após divulgação responsável feita à Anthropic no final de dezembro de 2025. Além disso, um componente externo envolvido no problema — um CAPTCHA da Arkose Labs — também recebeu correção em fevereiro de 2026.

O ataque explorava uma cadeia de vulnerabilidades. De um lado, havia uma falha do tipo DOM-based XSS no CAPTCHA hospedado em um subdomínio da Anthropic. De outro, um erro na validação de origem da própria extensão, que aceitava mensagens de qualquer subdomínio dentro do padrão *.claude.ai, sem uma verificação mais rigorosa.

Na prática, o atacante só precisava hospedar uma página com um iframe oculto carregando o CAPTCHA vulnerável. A partir daí, era possível executar código malicioso nesse contexto e enviar comandos falsos para a extensão via postMessage. Como a origem parecia confiável, o Claude processava esses comandos como se fossem do próprio usuário.

O problema vai além da simples injeção de prompts. Extensões de IA operam com acesso a sessões autenticadas e histórico de interações. Isso significa que um invasor poderia acessar conversas, manipular dados, sequestrar sessões e até executar ações em nome da vítima — como envio de e-mails ou interações com sistemas conectados.

Qualquer usuário com a extensão ativa durante a navegação estava potencialmente exposto enquanto a falha existia. Em ambientes corporativos, o risco era ainda maior, especialmente quando o assistente tinha acesso a sistemas críticos como suporte, finanças ou gestão de identidade.

Embora não haja confirmação pública de exploração ativa, isso não reduz a gravidade do problema. A técnica utilizada é conhecida e, após a divulgação, pode atrair o interesse de novos atacantes.

A correção envolveu dois pontos principais: o CAPTCHA vulnerável foi ajustado pela Arkose Labs, e a Anthropic passou a exigir correspondência exata de domínio na validação da extensão, abandonando o modelo baseado em subdomínios genéricos.

Para se proteger, usuários devem garantir que a extensão do Claude esteja atualizada para a versão 1.0.41 ou superior. Já equipes de segurança precisam tratar extensões com IA como vetores críticos, mantendo controle de versões, inventário de uso e monitoramento de comportamentos suspeitos — especialmente após o acesso a sites não confiáveis.

O caso reforça um alerta importante: à medida que assistentes de IA ganham mais acesso e autonomia dentro do navegador, falhas simples podem escalar rapidamente para comprometimentos sérios de dados e operações.