Ex-negociador de ransomware é condenado a quase 6 anos de prisão por ajudar grupo hacker

Um profissional contratado para ajudar empresas vítimas de ataques de ransomware acabou cruzando a linha da legalidade. Angelo Martino, de 41 anos, foi condenado nos Estados Unidos a quase seis anos de prisão após ser considerado culpado por colaborar com o grupo de cibercriminosos BlackCat (ALPHV) enquanto trabalhava como negociador de resgates.

Segundo as investigações, Martino fingia atuar na defesa das empresas atacadas, mas repassava informações sigilosas aos hackers para aumentar os valores dos resgates exigidos das vítimas.

Como funcionava o esquema?

Quando uma empresa era atingida por um ransomware, Martino era contratado para negociar com os criminosos e tentar reduzir o valor do resgate.

No entanto, em vez de proteger seus clientes, ele utilizava seu acesso privilegiado para coletar informações importantes, como e-mails, documentos internos e detalhes sobre a situação financeira das empresas.

Esses dados eram enviados ao grupo BlackCat, que passava a conhecer melhor a capacidade de pagamento das vítimas e ajustava as cobranças para obter um lucro ainda maior.

Participação foi além das negociações

As autoridades descobriram que Martino não apenas vazava informações confidenciais.

Ele também se uniu a outros dois profissionais de cibersegurança, Kevin Martin e Ryan Goldberg, para participar diretamente de ataques de ransomware. O trio ajudava a instalar o malware nas redes das vítimas e dividia os lucros obtidos com os pagamentos de resgate.

De acordo com a investigação, os envolvidos receberam cerca de US$ 1,2 milhão em Bitcoin, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões, durante a atuação criminosa.

O que é um ataque de ransomware?

O ransomware é um tipo de malware que invade computadores e servidores, criptografa arquivos importantes e impede o acesso às informações.

Depois da infecção, os criminosos exigem um pagamento, geralmente em criptomoedas, para fornecer a chave que desbloqueia os dados. Em muitos casos, além de criptografar os arquivos, os invasores também roubam informações confidenciais e ameaçam divulgá-las caso o resgate não seja pago.

Caso reforça o risco das ameaças internas

Especialistas destacam que o caso chama atenção para um problema conhecido como ameaça interna (insider threat).

Esse tipo de risco acontece quando alguém que possui acesso legítimo aos sistemas de uma empresa utiliza esse privilégio para beneficiar criminosos ou causar prejuízos à organização.

No caso de Martino, a confiança depositada nele permitiu que o grupo BlackCat obtivesse informações estratégicas que dificilmente seriam acessadas por meios tradicionais.

Lição para empresas

O caso mostra que a segurança digital não depende apenas de firewalls, antivírus e outras ferramentas tecnológicas. Também é essencial controlar os acessos de funcionários e prestadores de serviço, monitorar atividades suspeitas e adotar processos rigorosos para proteger informações sensíveis.

Mesmo profissionais contratados para defender uma empresa podem representar um risco quando não há mecanismos adequados de auditoria e fiscalização.