Criminosos já preparam ataques para a Copa do Mundo de 2026

Faltando pouco para o início da Copa do Mundo da FIFA 2026, especialistas em cibersegurança já identificaram movimentações suspeitas ligadas ao evento. Segundo a empresa Check Point Software, uma infraestrutura de ataques cibernéticos voltada ao torneio já está em operação e pode afetar setores estratégicos como finanças, transporte, hotelaria e apostas online.

A competição será realizada em 16 cidades da América do Norte e deve movimentar bilhões de dólares em turismo, ingressos, hospedagem e serviços relacionados. Esse cenário transforma o evento em um alvo altamente atrativo para cibercriminosos.

Estruturas de ataque já estão prontas

De acordo com o levantamento, os criminosos não esperam o torneio começar para agir. A preparação ocorre meses antes do evento, com o registro de domínios falsos, criação de páginas fraudulentas e desenvolvimento de campanhas de engenharia social.

Segundo a analista de inteligência de ameaças da Check Point, Manasa Pisipati, os grupos criminosos trabalham antecipadamente para explorar momentos de maior atenção pública.

A estratégia é simples: aproveitar períodos em que torcedores, turistas, empresas e patrocinadores estão mais propensos a realizar compras, reservas ou transações online com urgência.

Finanças, viagens e hospedagem estão entre os principais alvos

Os pesquisadores apontam que o setor financeiro continua sendo o alvo mais lucrativo durante grandes eventos esportivos.

O aumento nas compras internacionais, reservas de hotéis e aquisição de ingressos cria oportunidades para golpes cada vez mais sofisticados.

Entre as ameaças identificadas estão:

  • Fraudes envolvendo criptomoedas relacionadas ao torneio;
  • Golpes com cartões de crédito e meios de pagamento;
  • Venda de ingressos falsos;
  • Reservas fraudulentas de hospedagem;
  • Ataques de comprometimento de e-mail corporativo (BEC);
  • Sites falsos de apostas esportivas.

Além dos consumidores, empresas parceiras do evento também podem ser alvo de campanhas direcionadas.

Falhas em sistemas de e-mail preocupam especialistas

Outro ponto destacado pelo relatório envolve a segurança dos sistemas de comunicação utilizados por organizações ligadas ao evento.

Segundo a análise, mais de um terço dos parceiros oficiais apresenta falhas em mecanismos de autenticação de e-mail.

Esse tipo de vulnerabilidade pode facilitar ataques de spoofing, técnica utilizada para falsificar remetentes legítimos e aumentar a credibilidade de mensagens fraudulentas.

Na prática, criminosos podem tentar se passar por patrocinadores, organizadores ou empresas parceiras para enganar vítimas e obter informações sensíveis.

Grandes eventos esportivos já foram alvo de ataques no passado

O histórico de competições internacionais mostra que eventos esportivos frequentemente atraem a atenção de grupos cibercriminosos.

Entre os casos mais conhecidos estão:

  • A Copa do Mundo FIFA 2014, quando ataques DDoS afetaram sites oficiais e patrocinadores;
  • Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, impactados pelo malware conhecido como Olympic Destroyer;
  • A Copa do Mundo FIFA 2022, que registrou incidentes envolvendo sistemas de telecomunicações.

Segundo especialistas, esses eventos compartilham características que os tornam alvos ideais: alta visibilidade, grande movimentação financeira e dependência de infraestrutura digital.

Ataques devem aumentar durante o torneio

A expectativa é que a atividade criminosa cresça à medida que a competição se aproxima.

Os pesquisadores afirmam que diversos domínios suspeitos já foram registrados e que parte da infraestrutura necessária para campanhas de phishing e fraudes online está pronta para ser ativada.

Isso significa que muitos ataques poderão ocorrer exatamente nos momentos de maior interesse do público, como venda de ingressos, divulgação de partidas decisivas e movimentação de turistas.

Como empresas e torcedores podem se proteger

Especialistas recomendam medidas preventivas tanto para organizações quanto para usuários comuns.

Entre as principais recomendações estão:

  • Verificar sempre a autenticidade de sites de ingressos e hospedagem;
  • Evitar clicar em links recebidos por e-mail ou mensagens sem confirmação da origem;
  • Utilizar autenticação em dois fatores (2FA);
  • Monitorar movimentações financeiras suspeitas;
  • Confirmar a legitimidade de promoções relacionadas ao torneio;
  • Manter sistemas e dispositivos atualizados.

Para empresas, o monitoramento contínuo de ameaças, a proteção contra fraudes digitais e a análise de exposição online tornam-se ainda mais importantes em períodos de grande visibilidade.

Copa do Mundo já entrou no radar dos cibercriminosos

A conclusão dos pesquisadores é direta: a Copa do Mundo de 2026 já faz parte do planejamento de grupos especializados em golpes digitais.

Com milhões de torcedores conectados, grande circulação de dinheiro e intensa atividade online, o torneio representa uma oportunidade valiosa para criminosos explorarem vulnerabilidades técnicas e comportamentais.

Por isso, especialistas reforçam que a preparação contra ataques deve começar agora. Em eventos dessa magnitude, esperar o problema aparecer pode significar agir tarde demais.