A Visa anunciou nesta quarta-feira (29) a chegada do Visa Agentic Ready, nova iniciativa voltada à implementação de inteligência artificial agêntica no setor financeiro. A proposta é permitir que instituições bancárias testem sistemas capazes de executar pagamentos e transações automaticamente, tornando tarefas do dia a dia mais rápidas e práticas para os usuários.
No Brasil, a tecnologia será avaliada inicialmente por grandes instituições como Bradesco, Banco do Brasil, Santander, XP e Dock. Os testes acontecerão em ambientes controlados, em parceria com comerciantes selecionados, para validar segurança, desempenho e usabilidade antes de uma possível adoção em larga escala.
Embora o programa já esteja em operação experimental em mercados europeus, a Visa decidiu expandir a iniciativa para a América Latina e Ásia diante do avanço global das soluções baseadas em IA financeira. A movimentação acompanha uma tendência do setor: a Mastercard também já iniciou testes semelhantes com bancos como Itaú Unibanco e Santander.
O que muda com a IA agêntica?
Diferente dos assistentes virtuais tradicionais, que apenas respondem comandos ou oferecem sugestões, as IAs agênticas conseguem tomar decisões e executar ações em nome do usuário, desde que autorizadas.
No contexto bancário, isso significa ir além da simples recomendação. A tecnologia pode, por exemplo, pesquisar passagens, comparar preços, selecionar hospedagens dentro de um orçamento definido e concluir o pagamento sem intervenção manual.
Imagine pedir ao aplicativo do banco para encontrar um hotel por até R$ 1 mil para uma viagem de sete dias. Em vez de apenas listar opções, a IA poderia analisar preferências, filtrar resultados, escolher a melhor alternativa e finalizar a reserva automaticamente.
Hoje, muitas ferramentas baseadas em IA conseguem chegar até a etapa de recomendação, mas ainda dependem do usuário para concluir o pagamento. Com o suporte direto das bandeiras e instituições financeiras, essa barreira começa a cair.
Impacto para empresas e plataformas digitais
A chegada desse modelo também deve transformar a forma como aplicativos e sites são desenvolvidos.
Se antes o foco era criar interfaces para convencer consumidores humanos, agora empresas precisarão adaptar suas plataformas para dialogar diretamente com agentes de IA. Isso exige estruturas mais organizadas, APIs robustas e códigos preparados para que essas inteligências interpretem ofertas, preços e condições com clareza.
Quando isso chega ao público?
Apesar do avanço, a tecnologia ainda está em fase inicial de testes no Brasil.
A expectativa é que os agentes financeiros baseados em IA ganhem espaço gradualmente nos próximos anos, sempre com uso opcional e sujeito à autorização explícita do cliente.
A promessa é ambiciosa: transformar a relação entre pessoas e serviços financeiros, permitindo que a inteligência artificial deixe de apenas sugerir e passe a agir de forma prática no gerenciamento da vida financeira.