Pentágono restringe Anthropic, mas mantém interesse estratégico no Claude Mythos

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos classificou a Anthropic como um potencial risco à cadeia de suprimentos, decisão que impede, ao menos oficialmente, o uso de tecnologias da empresa em aplicações governamentais. Apesar da restrição, o modelo Claude Mythos, desenvolvido com foco em cibersegurança, segue no radar das autoridades americanas e pode se tornar uma exceção por sua relevância estratégica.

A informação foi revelada na última sexta-feira (1º) por Emil Michael, diretor de tecnologia do Departamento de Defesa, durante participação no programa Squawk Box, da CNBC. Segundo ele, o Mythos representa um caso específico dentro da política de segurança nacional dos EUA.

De acordo com o executivo, o modelo tem capacidades avançadas para identificar vulnerabilidades em infraestruturas digitais e auxiliar na correção de falhas críticas, o que o torna particularmente valioso para a proteção de redes governamentais.

Impasse entre Pentágono e Anthropic

A tensão entre o governo americano e a Anthropic ganhou força no início do ano, após divergências sobre os limites de uso do Claude em contextos militares.

O Pentágono buscava autorização para utilizar o sistema de forma irrestrita em aplicações estratégicas. A Anthropic, por outro lado, manteve restrições contratuais que impedem o uso de seus modelos em atividades consideradas sensíveis, como:

  • vigilância em massa;
  • monitoramento de cidadãos;
  • operação de armas autônomas;
  • sistemas ofensivos de combate.

Sem acordo, o Departamento de Defesa classificou a empresa como um risco à segurança nacional, bloqueando novos contratos oficiais.

Disputa foi parar na Justiça

A decisão levou a Anthropic a reagir judicialmente.

Em março, a empresa entrou com ações em tribunais de São Francisco e Washington, tentando reverter a classificação imposta pelo governo. Os processos seguem em andamento.

Mesmo com o embate jurídico, as conversas entre as partes continuam. O presidente Donald Trump já sinalizou publicamente abertura para uma eventual reaproximação.

Uso extraoficial levanta questionamentos

Embora exista uma restrição formal, relatos indicam que modelos da Anthropic continuam sendo utilizados em operações estratégicas.

Segundo informações divulgadas pela CNBC, há indícios de uso da tecnologia em ações relacionadas ao conflito envolvendo o Irã, além de possíveis aplicações dentro da NSA (Agência de Segurança Nacional).

O cenário expõe uma contradição: enquanto a Anthropic está oficialmente barrada, sua tecnologia segue sendo considerada relevante em contextos críticos.

Michael reconheceu que o tema ainda está em discussão e afirmou que as regras para uso dessas ferramentas continuam sendo negociadas individualmente com cada fornecedora.

Governo amplia leque de fornecedores

Paralelamente, o Pentágono vem acelerando sua estratégia de diversificação tecnológica.

O Departamento de Defesa anunciou acordos com sete gigantes do setor para integrar soluções de inteligência artificial às suas redes classificadas:

  • OpenAI
  • Google
  • Microsoft
  • Amazon Web Services
  • Nvidia
  • SpaceX
  • Reflection

O movimento mostra que, enquanto o impasse com a Anthropic permanece sem definição, o governo americano segue fortalecendo sua infraestrutura de IA com múltiplos parceiros.