Patrocínio de VPN na Copa do Mundo gera polêmica entre FIFA e ligas de futebol

A decisão da FIFA de fechar um acordo de patrocínio com a ExpressVPN para a Copa do Mundo de 2026 provocou críticas de importantes ligas e organizações esportivas da Europa. O motivo é que essas entidades afirmam que serviços de VPN podem facilitar o acesso a transmissões esportivas feitas de forma ilegal.

Entre os críticos estão a La Liga, responsável pelo Campeonato Espanhol, a Ligue de Football Professionnel (LFP), da França, e a Association for the Protection of Sports Programmes (APPS), organização que representa empresas detentoras dos direitos de transmissão esportiva.

Por que uma VPN virou motivo de discussão?

Uma VPN (Rede Privada Virtual) é uma tecnologia criada para aumentar a privacidade e a segurança na internet, criptografando a conexão do usuário.

No entanto, ela também pode ser usada para alterar a localização virtual de um dispositivo. Isso permite que uma pessoa acesse conteúdos disponíveis apenas em determinados países, incluindo transmissões esportivas com restrição geográfica.

Segundo as ligas de futebol, essa prática facilita o consumo de transmissões sem autorização dos detentores dos direitos de exibição.

Críticas ao patrocínio

O presidente da La Liga, Javier Tebas, enviou uma carta ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, criticando o acordo com a ExpressVPN.

Na avaliação da entidade espanhola, associar a marca da Copa do Mundo a uma empresa de VPN transmite uma mensagem negativa para o mercado, já que essas ferramentas podem ser utilizadas para contornar bloqueios geográficos e acessar transmissões não autorizadas.

A APPS também afirma que a ExpressVPN não adotou medidas suficientes para impedir o acesso a transmissões piratas na França, motivo pelo qual a empresa já enfrenta disputas judiciais relacionadas ao tema.

O que diz a FIFA?

A FIFA respondeu às críticas afirmando que todos os patrocinadores passam por um processo de análise antes da assinatura de qualquer contrato.

Segundo a entidade, foram avaliados os possíveis impactos da parceria e foram adotadas medidas para garantir que o acordo não prejudique os detentores dos direitos de transmissão da Copa do Mundo nem outras partes envolvidas.

ExpressVPN nega facilitar a pirataria

A ExpressVPN também se manifestou sobre o caso.

Em nota, a empresa afirmou que nunca foi condenada por facilitar a pirataria e classificou como incorretas as acusações feitas pelas organizações esportivas.

A companhia reforçou que seu serviço foi desenvolvido para proteger a privacidade e a segurança dos usuários durante a navegação na internet.

VPN é ilegal?

O uso de uma VPN não é ilegal na maioria dos países, incluindo o Brasil. A tecnologia é amplamente utilizada para proteger dados, aumentar a privacidade e permitir conexões seguras em redes públicas.

No entanto, utilizá-la para burlar restrições impostas por contratos de transmissão pode violar os termos de uso das plataformas responsáveis pela exibição dos eventos, mesmo que isso não configure, por si só, um crime.

Debate deve continuar

A polêmica mostra que o crescimento do uso das VPNs vai além da segurança digital e já impacta setores como o entretenimento e o esporte.

Enquanto empresas de tecnologia defendem o direito à privacidade dos usuários, ligas esportivas e emissoras buscam maneiras de proteger os direitos de transmissão, que movimentam bilhões de dólares todos os anos. A discussão sobre o equilíbrio entre privacidade, liberdade na internet e combate à pirataria deve continuar nos próximos anos.