Malware Nexcorium transforma dispositivos IoT em exército digital para ataques globais

Pesquisadores da FortiGuard Labs, braço de inteligência da Fortinet, identificaram um novo malware voltado para dispositivos de Internet das Coisas (IoT), como câmeras de segurança, babás eletrônicas e lâmpadas inteligentes. A ameaça, chamada Nexcorium, tem como objetivo sequestrar esses aparelhos para formar redes zumbis usadas em ataques cibernéticos contra sites e serviços online.

Essa nova variante evolui a partir do conhecido Mirai e tem como principal alvo gravadores de vídeo digital (DVR), especialmente os modelos TBK DVR-4104 e DVR-4216. Esses dispositivos costumam operar com pouca atualização de segurança e configurações frágeis, o que facilita a invasão. O acesso ocorre por meio da exploração da vulnerabilidade CVE-2024-3721, que permite a execução remota de comandos maliciosos e garante controle persistente do sistema.

Após a infecção, o malware exibe mensagens que indicam autoria do grupo Nexus Team e se mantém ativo mesmo após reinicializações. Para isso, ele se replica em diferentes diretórios e cria tarefas automáticas que reativam o código, além de apagar rastros para dificultar a detecção.

O Nexcorium também se destaca pela capacidade de se adaptar a diferentes arquiteturas de hardware, ampliando seu alcance. Para expandir a rede de dispositivos comprometidos, ele realiza ataques de força bruta, testando listas de senhas padrão em equipamentos conectados à mesma rede. Além da falha mais recente, o malware também explora vulnerabilidades antigas, como a CVE-2017-17215, mostrando que sistemas desatualizados continuam sendo um alvo fácil.

Com a botnet formada, os invasores lançam ataques DDoS, sobrecarregando servidores com tráfego falso até torná-los indisponíveis. Especialistas apontam que esse tipo de ameaça evidencia falhas nas estratégias tradicionais de defesa, que muitas vezes não consideram como os ataques evoluem após a exploração inicial.

Para reduzir os riscos, a recomendação é direta: trocar senhas padrão, manter o firmware atualizado e incluir dispositivos IoT nas estratégias de segurança contínua. Ignorar esses pontos básicos ainda é o principal motivo pelo qual esse tipo de ataque continua funcionando.