O Google inaugurou nesta quarta-feira (27) um novo centro de engenharia de software em São Paulo, ampliando sua presença no Brasil quase duas décadas após a criação de seu primeiro polo de engenharia no país, em Belo Horizonte.
Instalado dentro do campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), próximo à Universidade de São Paulo (USP), o espaço terá foco em privacidade, segurança digital, inteligência artificial e acessibilidade, além de aproximar a companhia da comunidade acadêmica e do ecossistema de startups.
Segundo Alex Freire, diretor sênior e responsável pelo novo centro, a expansão representa uma evolução natural da engenharia brasileira dentro da estrutura global da empresa.
“A expansão para São Paulo é uma evolução natural da nossa presença no País. Belo Horizonte continua sendo um polo global de excelência”, afirmou o executivo em entrevista ao TecMundo.
Novo centro reforça presença do Google no Brasil
O primeiro centro de engenharia do Google no Brasil foi anunciado em 2005 em Belo Horizonte e segue como uma unidade estratégica da companhia.
Agora, a expansão para São Paulo busca fortalecer áreas consideradas críticas, especialmente relacionadas à proteção digital e ao uso seguro da inteligência artificial.
O novo espaço nasce dentro do projeto IPT Open, iniciativa de parceria público-privada do instituto voltada à colaboração entre empresas, pesquisadores e startups.
Segundo Freire, a proposta é criar um ambiente mais conectado à produção acadêmica brasileira.
O centro deverá trabalhar em colaboração com:
- Pesquisadores universitários;
- Estudantes;
- Startups de tecnologia;
- Especialistas em segurança digital;
- Profissionais de acessibilidade e experiência do usuário.
Segurança digital e IA estarão no centro da operação
A segurança digital aparece como uma das principais frentes do novo hub.
De acordo com o executivo, a popularização da inteligência artificial elevou os desafios de segurança, uma vez que ferramentas avançadas também passaram a ser utilizadas para atividades maliciosas.
Entre os projetos desenvolvidos no Brasil estão tecnologias voltadas para:
- Prevenção de vazamento de dados durante o treinamento de modelos de IA;
- Bloqueio de conteúdos ilegais em sistemas automatizados;
- Proteção contra fraudes digitais;
- Desenvolvimento de mecanismos defensivos contra ataques cibernéticos.
Segundo Freire, o Google trabalha para impedir que modelos de inteligência artificial sejam treinados ou expostos a materiais ilegais, incluindo conteúdos relacionados à exploração infantil.
Brasil recebe primeiro GSEC da América Latina
O novo centro também abrigará o Google Security Engineering Center (GSEC), programa global do Google voltado à cooperação entre setor privado, governos e pesquisadores em segurança cibernética.
De acordo com a companhia, o Brasil foi escolhido para sediar a primeira unidade latino-americana do programa por conta do grau de digitalização do país.
Entre os fatores citados estão:
- A ampla adoção do Pix;
- A presença de serviços digitais como o Gov.br;
- O elevado número de usuários conectados;
- O crescimento de fraudes e golpes digitais.
Solução contra roubo de celular nasceu de problema brasileiro
O executivo destacou ainda uma funcionalidade criada com participação de engenheiros brasileiros voltada à proteção contra furtos de smartphones.
A ferramenta usa inteligência artificial para detectar movimentos bruscos compatíveis com roubo e bloquear automaticamente o aparelho.
Segundo Freire, o recurso nasceu a partir de uma demanda social brasileira e acabou sendo expandido globalmente.
Espaço terá laboratório de acessibilidade aberto ao público
Além da engenharia de software, o novo centro contará com uma área dedicada à acessibilidade.
O local terá tecnologias assistivas disponíveis para testes, desenvolvimento e experimentação de produtos destinados a pessoas com deficiência.
A proposta, segundo o Google, é desenvolver ferramentas em colaboração direta com os usuários finais.
O espaço deve reunir especialistas de diferentes áreas, incluindo:
- Engenharia de software;
- Ciência de dados;
- Design;
- Experiência do usuário (UX);
- Gerenciamento de produto;
- Acessibilidade.
Centro poderá receber até 400 pessoas
O novo polo terá capacidade para aproximadamente 400 profissionais, distribuídos entre equipes do Google e iniciativas ligadas ao ecossistema de startups instalado no campus.
Segundo Alex Freire, o objetivo é ampliar a relevância do Brasil no desenvolvimento de tecnologias globais da companhia.
O executivo também afirmou que programas de estágio e formação profissional já existentes devem ganhar mais visibilidade com a proximidade física da USP, embora não exista um programa exclusivo voltado à universidade.
O movimento reforça uma tendência crescente: grandes empresas globais de tecnologia estão ampliando operações de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, especialmente em áreas ligadas a inteligência artificial, segurança cibernética e produtos digitais de alcance global.