Esquema com IA transforma TVs Box Android em império global de fraude

Uma investigação de segurança da empresa Bitsight revelou uma rede de cibersegurança chamada “Operação Fuyao”. O esquema utiliza TVs Box Android baratas para fraudar o mercado de publicidade digital e sequestrar conexões de internet residenciais, gerando até US$ 40 milhões por ano.


Como funciona o golpe das TVs Box

Muitos desses aparelhos já saem de fábrica com aplicativos maliciosos pré-instalados. Para enganar as redes de anúncios e inflar os ganhos, o sistema altera a identidade do hardware para fingir que a TV Box é um celular top de linha de marcas como Samsung, Huawei, Xiaomi e Vivo.

A operação trabalha com uma estratégia dupla de monetização:

  • Com cabo HDMI conectado: A TV Box funciona como um túnel de acesso (proxy), retransmitindo o tráfego de rede de terceiros usando a banda larga residencial do proprietário sem o seu consentimento.
  • Sem cabo HDMI desconectado: O aparelho entra no modo de fraude de cliques, interagindo automaticamente com milhares de sites gerados por inteligência artificial (IA).

IA, visão computacional e programação infantil

Para fazer os robôs agirem como humanos e evitarem ser detectados, os criadores combinaram três tecnologias principais:

  • Visão computacional e OCR: Identificam elementos visuais na tela e leem textos para localizar e clicar nos anúncios.
  • Dados de acessibilidade: Permitem controlar a navegação no sistema Android de forma automatizada.
  • Linguagem Blockly (Google): Os desenvolvedores adaptaram essa ferramenta visual, usada originalmente para ensinar programação para crianças. Com ela, até operadores com pouco conhecimento técnico conseguem arrastar blocos visuais para criar campanhas de fraude, exportadas em JavaScript para os aparelhos infectados.

Quem está por trás da operação?

A Bitsight mapeou a infraestrutura de servidores e canalização financeira (feita por redes como Google AdSense e Taboola usando empresas de fachada em Hong Kong e Cingapura).

A investigação atribuiu o esquema à empresa chinesa Zhejiang Fengwo IoT Technology Co., Ltd., cujas patentes registradas incluem tecnologias de monitoramento de telas na nuvem e rastreamento comportamental idênticas às usadas pela rede hacker.