Criminosos usam recursos legítimos do ChatGPT para distribuir malware em nova campanha

Pesquisadores da empresa de segurança Push Security identificaram uma nova campanha cibernética chamada LLMShare, na qual criminosos exploraram recursos legítimos do ChatGPT para distribuir malware. O ataque, descoberto em 29 de maio de 2026, chamou atenção por utilizar um endereço autêntico da OpenAI para driblar mecanismos de proteção corporativa e aumentar a credibilidade do golpe.

Segundo os especialistas, a campanha explorou uma técnica conhecida como InstallFix, uma variante da família de ataques ClickFix, que se aproveita da crescente popularização de ferramentas de inteligência artificial e do hábito de usuários seguirem instruções técnicas sem conhecimento aprofundado.

Como o golpe começa

A operação criminosa teve início em anúncios patrocinados exibidos no Google. Os atacantes compraram palavras-chave populares, como “ChatGPT desktop app” e “ChatGPT download”, atraindo usuários interessados em instalar uma versão do assistente em seus computadores.

Ao clicar no anúncio, a vítima era direcionada para uma URL legítima dentro do domínio oficial do ChatGPT, o que tornava a ameaça especialmente perigosa.

Em ambientes corporativos, sistemas de segurança como firewalls e filtros de navegação normalmente validam apenas o domínio acessado. Como o endereço pertencia ao ecossistema oficial da OpenAI, o tráfego era autorizado sem uma inspeção mais aprofundada do conteúdo exibido.

Dentro dessa página legítima, os criminosos abusaram de recursos de renderização de código do ChatGPT para criar uma falsa mensagem de indisponibilidade do serviço. O aviso informava que a versão web estaria temporariamente instável e orientava o usuário a instalar um suposto aplicativo desktop.

Malware atingia Windows e macOS

Após interagir com a falsa mensagem, a vítima era redirecionada para o domínio openew.app, criado para simular uma página oficial de download do ChatGPT.

O site disponibilizava arquivos maliciosos destinados tanto ao Windows quanto ao macOS.

No ambiente Apple, os pesquisadores identificaram o uso do Odyssey Stealer, uma variante do conhecido Atomic macOS Stealer, malware especializado em roubo de informações.

Esse tipo de ameaça pode coletar:

  • Senhas armazenadas no navegador;
  • Carteiras de criptomoedas;
  • Cookies e tokens de sessão;
  • Dados de autenticação que mantêm usuários conectados a plataformas online.

Na prática, isso permite que criminosos assumam contas sem precisar descobrir a senha diretamente, explorando sessões já autenticadas.

Técnica escondia o comportamento malicioso

Para dificultar investigações e escapar de ferramentas automáticas de detecção, os operadores da campanha implementaram uma técnica chamada renderização condicional.

Quando serviços automatizados de análise, como scanners de URLs, acessavam o site suspeito, ele exibia apenas uma página aparentemente inofensiva ligada a uma empresa de realidade virtual.

Já visitantes reais visualizavam uma interface falsa de download do ChatGPT, contendo os arquivos comprometidos.

Esse comportamento permitia que a infraestrutura maliciosa permanecesse ativa por mais tempo, evitando bloqueios automáticos e reduzindo as chances de detecção.

Ferramentas de IA se tornaram alvo frequente de ataques

A campanha LLMShare evidencia uma tendência crescente: o abuso da confiança depositada pelos usuários em plataformas populares de inteligência artificial.

Nos últimos meses, pesquisadores de segurança têm identificado diferentes formas de exploração envolvendo assistentes baseados em IA.

Entre os casos recentes está o ChatGPhish, técnica descoberta pela Permiso Security, na qual páginas maliciosas incorporam instruções ocultas capazes de influenciar respostas geradas pelo ChatGPT ao resumir conteúdos da web.

Outro exemplo foi o ClaudeBleed, vulnerabilidade identificada por pesquisadores da LayerX na extensão oficial do Claude para Google Chrome. A falha permitia que extensões maliciosas assumissem o controle do assistente sem necessidade de permissões especiais.

Como se proteger desse tipo de golpe

Especialistas recomendam alguns cuidados para reduzir riscos relacionados a falsas instalações de aplicativos de IA:

  • Baixe programas apenas de fontes oficiais verificadas;
  • Evite clicar em anúncios patrocinados ao procurar softwares populares;
  • Desconfie de mensagens de erro ou instabilidade que solicitem downloads imediatos;
  • Utilize soluções de segurança capazes de inspecionar comportamento e não apenas reputação de domínio;
  • Verifique se existe realmente uma versão oficial do aplicativo antes de instalar qualquer arquivo.

A campanha mostra que criminosos estão adaptando golpes tradicionais para o cenário da inteligência artificial, aproveitando a popularidade de ferramentas como ChatGPT e a confiança construída em torno dessas plataformas para ampliar a eficácia de ataques de engenharia social.