Um estudo divulgado em 23 de outubro trouxe uma descoberta curiosa sobre o funcionamento dos principais modelos de inteligência artificial disponíveis atualmente. Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China identificaram que sistemas como ChatGPT, Gemini, DeepSeek, Ernie e Le Chat podem apresentar comportamentos e características distintas dependendo do idioma utilizado durante a conversa.
A pesquisa utilizou uma metodologia baseada no teste psicológico conhecido como Big Five Inventory-2, amplamente empregado para avaliar traços de personalidade. Os pesquisadores solicitaram que os chatbots respondessem às perguntas como se fossem eles próprios, sem tentar imitar personalidades humanas específicas. As respostas foram analisadas em inglês, mandarim e, no caso do Le Chat, também em francês.
Os resultados mostraram diferenças significativas. Um dos exemplos apresentados no estudo envolve o ChatGPT-4o. Quando respondeu ao questionário em inglês, o modelo apresentou um índice elevado de abertura para novas ideias. Entretanto, ao responder em mandarim, essa mesma característica apareceu com uma pontuação menor. Já o DeepSeek apresentou comportamento inverso, demonstrando níveis mais altos de abertura quando utilizava mandarim em comparação com o inglês.
Segundo os pesquisadores, o idioma parece influenciar não apenas a forma das respostas, mas também aspectos relacionados à curiosidade, adaptabilidade, amabilidade e até elementos culturais incorporados durante o treinamento dos modelos. Isso ocorre porque as inteligências artificiais aprendem a partir de enormes volumes de textos coletados em diferentes idiomas e contextos sociais.
A descoberta tem implicações importantes para empresas e usuários que utilizam IA em ambientes internacionais. Sistemas empregados em atendimento ao cliente, tradução automática, produção de conteúdo ou suporte corporativo podem apresentar comportamentos ligeiramente diferentes dependendo da língua utilizada.
Outro aspecto relevante é a comparação entre respostas das inteligências artificiais e resultados obtidos por pessoas reais. Os pesquisadores identificaram diferenças culturais perceptíveis, indicando que os modelos não apenas traduzem informações, mas também refletem características dos conjuntos de dados utilizados durante seu treinamento.
Especialistas acreditam que a pesquisa pode ajudar desenvolvedores a entender melhor como os modelos processam linguagem e contexto cultural. À medida que a inteligência artificial se torna cada vez mais presente no cotidiano, compreender essas diferenças será fundamental para garantir experiências mais consistentes e previsíveis para usuários de diferentes regiões do mundo.
O estudo mostra que a IA está longe de ser uma tecnologia totalmente neutra. Embora os modelos utilizem os mesmos algoritmos básicos, o idioma continua exercendo influência significativa sobre a forma como as respostas são construídas, revelando uma camada adicional de complexidade no desenvolvimento dessas ferramentas.