Adware: o intruso silencioso que lota sua tela de anúncios e pode abrir portas para ameaças maiores

Você já abriu o navegador e se deparou com uma página inicial que nunca escolheu? Ou começou a receber uma chuva de pop-ups dizendo que seu PC está “infectado” e precisa de uma solução urgente? Isso tem cheiro de adware.

Adware é como aquele aplicativo inconveniente que não foi convidado para a festa, mas decidiu morar no seu dispositivo. Ele sobrecarrega o hardware, consome dados, reduz desempenho e, em cenários mais críticos, pode servir de ponte para ataques mais sérios.

O termo vem de “advertising-supported software”, ou seja, software sustentado por anúncios. Na teoria, não é algo ilegal: muitos programas gratuitos exibem publicidade como modelo de negócio. O problema começa quando a instalação acontece sem consentimento claro ou quando o software força cliques, altera configurações e coleta dados sem autorização.

Nem todo adware é malware. Em segurança digital, ele costuma ser classificado como PUP (programa potencialmente indesejado). Mas quando passa a monitorar sua navegação, vender dados ou modificar o sistema de forma abusiva, aí cruza a linha e entra no território do malware.

A forma mais comum de infecção é o famoso “bundling”, o download em pacote. Você instala um programa gratuito, clica em “Avançar” sem ler e, junto, vêm barras de ferramentas, extensões e plugins que ninguém pediu. Também é comum pegar adware ao acessar sites maliciosos, clicar em alertas falsos de vírus ou instalar aplicativos fora das lojas oficiais — especialmente no Android.

Os sinais são bem claros para quem presta atenção: anúncios surgindo em locais incomuns, navegador abrindo com um buscador estranho, lentidão fora do normal, superaquecimento do aparelho e extensões desconhecidas aparecendo do nada.

O risco vai além da irritação. Muitos adwares incorporam spyware para rastrear histórico, localização e hábitos de consumo. Outros exibem anúncios que levam a golpes ou malwares mais perigosos, prática conhecida como malvertising. Em celulares, o impacto também aparece na conta: consumo exagerado de dados e bateria drenando mais rápido que o normal.

Se o dispositivo já foi afetado, o caminho envolve remover programas suspeitos nas configurações do sistema, limpar extensões do navegador e restaurar as configurações padrão. Ferramentas específicas, como o AdwCleaner, desenvolvido pela Malwarebytes, ajudam a detectar resíduos que antivírus tradicionais podem ignorar.

No Android, iniciar o aparelho em Modo de Segurança permite identificar qual aplicativo está gerando os anúncios. Revisar permissões concedidas recentemente também é essencial. Já no iOS, como o sistema é mais restritivo, o problema geralmente está ligado a perfis instalados ou aplicativos específicos baixados fora do padrão habitual.

Prevenção continua sendo a melhor defesa. Evitar downloads de fontes desconhecidas, desconfiar de alertas alarmistas no navegador, prestar atenção nas caixas já marcadas durante instalações e fugir de aplicativos “empacotados” reduzem drasticamente o risco.

No fim das contas, adware é menos sobre anúncios e mais sobre controle. Quem decide o que roda na sua máquina deve ser você. Segurança digital começa com um hábito simples: parar dois segundos antes de clicar em “Aceitar tudo”.