O Ministério da Saúde anunciou um novo serviço de teleatendimento gratuito voltado ao tratamento de pessoas com problemas relacionados a jogos digitais e apostas esportivas. A iniciativa passa a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS) e busca ampliar o acesso ao suporte psicológico sem a necessidade de atendimento presencial.
O projeto foi desenvolvido em parceria com o Hospital Sírio-Libanês e recebeu investimento de R$ 2,5 milhões. A expectativa é atender até 600 pacientes por mês, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades para buscar ajuda presencial ou preferem um primeiro contato remoto.
O serviço está disponível para maiores de 18 anos, além de familiares e pessoas da rede de apoio. O cadastro pode ser realizado a qualquer momento, com funcionamento 24 horas por dia e proteção dos dados garantida pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Como funciona o atendimento
As consultas são realizadas por vídeo, com duração média de 45 minutos, podendo chegar a um ciclo de até 13 sessões por paciente. O acompanhamento é feito por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com encaminhamento para psiquiatras quando necessário. O atendimento também pode ser integrado à assistência social e à medicina da família na região do usuário.
Para acessar o serviço, o primeiro passo é baixar o aplicativo Meu SUS Digital, disponível para Android e iOS, ou utilizar a versão web com login via Gov.br. Dentro da plataforma, o usuário deve acessar a seção “Miniapps” e selecionar a opção relacionada a problemas com jogos e apostas.
Após o cadastro, as orientações iniciais são enviadas via WhatsApp. O processo começa com um autoteste validado por especialistas brasileiros, que avalia o nível de risco do comportamento. Dependendo do resultado, o paciente é encaminhado automaticamente para o teleatendimento.
Nos casos considerados de menor risco, o sistema orienta a busca por atendimento presencial em unidades do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Estratégia para conter o avanço das apostas
Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, o SUS realizou pouco mais de 6 mil atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas — número considerado baixo diante do crescimento acelerado do setor no país.
Como complemento ao tratamento, o governo também lançou uma plataforma de autoexclusão que permite ao usuário bloquear seus próprios dados em casas de apostas esportivas, reduzindo o risco de recaídas durante e após o acompanhamento. Paralelamente, segue em discussão no Congresso uma proposta de lei para limitar a publicidade de plataformas de apostas no Brasil.
A criação do teleatendimento marca um movimento do sistema público de saúde para lidar com um tipo de dependência cada vez mais digital — e que cresce na mesma velocidade que o acesso às bets e jogos online.