A Meta anunciou nesta terça-feira (27) um novo recurso de cibersegurança para o WhatsApp. A plataforma passa a oferecer as chamadas configurações rigorosas de conta, um modo de proteção reforçada voltado a usuários que precisam de uma camada extra de defesa digital.
O recurso foi pensado especialmente para jornalistas, ativistas, defensores de direitos humanos e figuras públicas que, além de golpes comuns, podem ser alvo de ataques cibernéticos raros e altamente sofisticados. Nesse grupo entram ferramentas de espionagem no estilo Pegasus, capazes de monitorar dispositivos, coletar dados e até acessar mensagens por meio de técnicas difíceis de detectar. Segundo a Meta, o novo modo começará a ser liberado “nas próximas semanas”.
A iniciativa segue uma tendência mais ampla do mercado. O Android, por exemplo, prepara um mecanismo semelhante que poderá alertar o usuário caso o smartphone tenha sido comprometido por esse tipo de ataque avançado.
Como funciona o modo de segurança reforçada do WhatsApp
Ao ativar as configurações rigorosas de conta, o perfil passa a operar no nível máximo de restrição dentro do WhatsApp. Isso traz impactos diretos na experiência de uso, incluindo possíveis limitações e até redução na qualidade de chamadas. Por esse motivo, o recurso vem desativado por padrão e precisa ser ligado manualmente.
Entre as principais mudanças estão:
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Apenas contatos salvos podem enviar anexos e mídias
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Somente contatos podem adicionar o usuário a grupos ou iniciar chamadas
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A prévia de links é totalmente desativada
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A verificação em duas etapas se torna obrigatória, com uso de PIN
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Ajustes adicionais de privacidade e no tratamento de dados da conta
Para ativar o recurso, basta acessar Configurações > Privacidade > Configurações avançadas e selecionar Configurações rigorosas da conta, desde que a função já esteja disponível no seu aplicativo.
Segurança extra, não substituta
Vale destacar que os mecanismos padrão do WhatsApp, como a criptografia de ponta a ponta, continuam ativos para todos os usuários, independentemente desse novo modo. A Meta também reforçou que vem adotando a linguagem de programação Rust em partes do app, com o objetivo de tornar o código mais resistente a falhas exploradas por spywares.
Enquanto reforça a segurança, o WhatsApp segue expandindo funcionalidades. Nas últimas semanas, a empresa confirmou a chegada do modo “Raciocínio” da Meta AI, além de trabalhar em uma versão paga por assinatura e em mudanças visuais, como a adição de uma foto de capa no perfil.
O recado é claro: o WhatsApp está tentando se adaptar a um cenário em que proteger mensagens já não é suficiente — agora, proteger o próprio usuário virou parte central do produto.