Venezuelanos são condenados por ataque a caixas eletrônicos com malware nos EUA

Dois cidadãos venezuelanos foram condenados à prisão e à deportação após liderarem um esquema de invasão a caixas eletrônicos que resultou no desvio de centenas de milhares de dólares de bancos em pelo menos quatro estados dos Estados Unidos. A operação misturava acesso físico aos terminais com o uso de malware sob medida para burlar sistemas de segurança.

Luz Granados, de 34 anos, e Johan Gonzalez-Jimenez, de 40, foram condenados por conspiração e crimes relacionados a computadores após uma investigação conjunta do Serviço Secreto dos EUA com a Divisão de Polícia da Carolina do Sul (SLED). O Departamento de Justiça detalhou que o esquema atingiu instituições financeiras na Carolina do Sul, Geórgia, Carolina do Norte e Virgínia.

Como funcionava o ataque

O golpe explorava uma vulnerabilidade crítica presente em caixas eletrônicos mais antigos. Durante a madrugada, a dupla abria fisicamente o compartimento externo das máquinas em cidades como Columbia e Rock Hill. Em seguida, conectava um notebook diretamente ao sistema interno do equipamento e instalava um malware capaz de forçar o terminal a liberar dinheiro continuamente até esvaziar o cofre.

Ao atacar o hardware do caixa eletrônico, a técnica ignorava por completo os protocolos tradicionais de segurança bancária. Na prática, os criminosos transformavam o terminal em um dispensador automático de dinheiro, sem necessidade de cartões ou credenciais legítimas.

Clientes não tiveram contas comprometidas

A investigação apontou que os correntistas não foram afetados diretamente. Os valores roubados pertenciam exclusivamente aos bancos responsáveis pelos caixas eletrônicos, e não às contas dos clientes. Dados pessoais e saldos permaneceram protegidos durante toda a ação criminosa.

Indícios de uma rede maior

O caso não se limita à dupla condenada. A partir das provas coletadas, o Distrito de Nebraska apresentou acusações contra outras 54 pessoas envolvidas em operações semelhantes. Isso indica a existência de uma rede criminosa organizada, atuando em escala nacional, com múltiplos grupos utilizando o mesmo método de ataque a caixas eletrônicos.

Penas e consequências

A juíza distrital Mary Geiger Lewis determinou punições severas. Granados aguarda deportação e foi condenada a pagar US$ 126.340 em restituição. Gonzalez-Jimenez recebeu 18 meses de prisão federal, terá de devolver US$ 285.100 e será deportado para a Venezuela após cumprir a pena.

Segundo o procurador-assistente dos EUA, Scott Matthews, investigações envolvendo esse tipo de crime bancário de alta tecnologia seguem como prioridade máxima para as autoridades federais. O recado é direto: ataques sofisticados também deixam rastros, e quem está por trás deles acaba respondendo à Justiça.