O OpenClaw, novo assistente virtual que ganhou destaque nas redes sociais, promete executar tarefas em nome do usuário para simplificar a rotina digital. A proposta é ambiciosa: um chatbot capaz de agir de forma autônoma, acessível diretamente pelo aplicativo de mensagens escolhido pelo usuário.
Apesar de não ser uma ferramenta maliciosa por definição, o nível de acesso que o OpenClaw pode ter ao computador amplia de forma significativa a superfície de ataque. Em um cenário onde o assistente consegue executar comandos, abrir programas e interagir diretamente com o sistema operacional, qualquer falha de interpretação ou uso indevido pode gerar impactos reais e sérios.
O que é o OpenClaw
Diferente de outros assistentes populares, o OpenClaw não é um modelo de inteligência artificial em si. Ele funciona como uma camada intermediária que se conecta a qualquer grande modelo de linguagem (LLM) configurado pelo usuário, seja local ou hospedado remotamente.
O diferencial está no grau de controle concedido. O OpenClaw pode interagir diretamente com o computador, abrir aplicativos, executar comandos no terminal e até enviar mensagens em nome do usuário. O próprio projeto reconhece o risco: executar um agente de IA com acesso direto ao terminal do dispositivo não é algo trivial nem totalmente seguro.
Esse alto nível de permissão é justamente o que torna a ferramenta poderosa — e, ao mesmo tempo, potencialmente perigosa quando mal configurada ou usada sem cautela.
Quais riscos o OpenClaw oferece
O funcionamento do OpenClaw é orientado por mensagens de texto. O usuário envia um comando pelo chat, o LLM processa a solicitação e o assistente executa as ações correspondentes, como abrir programas, manipular arquivos ou realizar tarefas automatizadas.
Em um mundo ideal, onde modelos de IA não cometem erros, esse fluxo seria seguro. Na prática, LLMs podem interpretar comandos de forma equivocada. Com acesso profundo ao sistema, isso pode resultar em ações difíceis de reverter, como exclusão de arquivos pessoais, alterações indevidas em documentos, envio de mensagens incorretas ou até compras realizadas por engano.
Outro ponto crítico é a manipulação de arquivos. O OpenClaw tem capacidade de criar, modificar e apagar dados no computador do usuário, o que aumenta o risco de alterações indesejadas causadas por erros de interpretação.
O risco de ataques por prompt injection
O alto nível de privilégios também torna o OpenClaw um alvo mais sensível a ataques de prompt injection. Nesse tipo de ataque, instruções maliciosas são inseridas de forma indireta para induzir o assistente a executar ações prejudiciais.
Entre os possíveis impactos estão o download e a instalação de malware, o vazamento de dados pessoais e credenciais, a exposição de informações corporativas e até a exclusão de arquivos do usuário.
O aspecto mais preocupante é que o atacante não precisa conversar diretamente com o chatbot. As instruções podem estar embutidas em arquivos, extensões ou páginas web aparentemente inofensivas para humanos, mas interpretadas como comandos válidos pelo agente de IA.
Como reduzir os riscos ao usar o OpenClaw
O OpenClaw pode ser um experimento interessante para quem quer explorar o potencial de assistentes de IA realmente operacionais. Para usuários curiosos e técnicos, o teste pode valer a pena — desde que acompanhado de cuidados rigorosos.
O site oficial do projeto oferece orientações para mitigar riscos, como limitar quem pode interagir com o bot e definir permissões bem restritas. Na prática, a lógica é simples: quanto menor o nível de acesso concedido ao assistente, menor o impacto em caso de erro ou abuso.
Outra medida importante é reduzir a exposição à internet, evitando autorizar navegadores ou serviços online que facilitem a interação com conteúdos externos potencialmente maliciosos.
Um assistente que não é para todo mundo
O OpenClaw é um projeto de código aberto e ainda em estágio experimental. Apesar de funcional, ele não foi pensado como um produto pronto para o usuário comum.
A instalação, configuração e uso exigem conhecimento técnico, familiaridade com linhas de comando e entendimento básico sobre modelos generativos. Para usuários menos experientes, os riscos podem facilmente superar os benefícios.