Os Estados Unidos e Israel realizaram um ataque militar conjunto contra o Irã na manhã deste sábado (28), ação confirmada publicamente pelo presidente norte-americano Donald Trump. Paralelamente às operações militares, o cenário digital já apresenta sinais claros de escalada: grupos hacktivistas e organizações cibercriminosas iniciaram uma mobilização coordenada em apoio ao governo iraniano.
Relatórios iniciais apontam ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) contra sites israelenses e tentativas de comprometimento de sistemas industriais baseados em SCADA — tecnologias responsáveis pelo controle e monitoramento de infraestruturas críticas, como energia, transporte e combustíveis.
Aliança cibernética pró-Irã entra em ação
O primeiro alerta partiu do Handala Group, coletivo conhecido por ataques anteriores contra empresas israelenses do setor energético. Em canais do Telegram, uma nova coalizão chamada Cyber Islamic Resistance convocou hacktivistas e grupos criminosos para uma ofensiva digital coordenada contra alvos ligados a Israel e aos Estados Unidos.
Entre as alegações divulgadas está a existência de uma suposta vulnerabilidade no aplicativo do Comando da Defesa Civil israelense — informação que ainda não pôde ser verificada de forma independente.
Até o momento, mais de 20 grupos cibernéticos teriam aderido à campanha. Entre eles estão APT Iran, Cyb3rDrag0nzz, Cyber Fattha, RipperSec e o próprio Handala, todos com histórico de ataques disruptivos ou ações de propaganda digital.
Sites derrubados e ameaças públicas
Uma das primeiras ações confirmadas envolveu o site do portal Israel News, que saiu do ar após um ataque DDoS reivindicado pelo grupo RipperSec. Outros domínios israelenses, incluindo empresas de telecomunicações e instituições financeiras, também teriam sido afetados.
Em publicações nas redes sociais, o Handala Group afirmou que ataques em larga escala poderiam ocorrer nas próximas horas, ameaçando diretamente a infraestrutura digital da região.
O grupo Cyb3rDrag0nzz também declarou oficialmente sua participação na chamada “Sala de Operações Eletrônicas do Eixo da Resistência Islâmica”, reforçando o caráter coordenado da ofensiva.
Infraestrutura crítica entra no radar
Uma das preocupações mais relevantes envolve alegações de ataques a sistemas SCADA, feitas pelo coletivo FAD Team. Esse tipo de plataforma controla processos industriais em tempo real e está presente em usinas, refinarias e redes elétricas — tornando qualquer comprometimento potencialmente perigoso no mundo físico, não apenas no digital.
Em conflitos modernos, esse detalhe muda tudo: desligar servidores virou apenas o nível inicial; o alvo agora pode ser a própria infraestrutura nacional.
Aplicativo religioso iraniano também é alvo
Em um possível movimento de contraofensiva digital, o aplicativo islâmico BadeSaba Calendar teria sido comprometido, segundo relatos publicados pela Wired. Usuários iranianos receberam notificações incentivando a rendição popular e a adesão a forças opositoras, prometendo anistia aos participantes.
O aplicativo soma mais de cinco milhões de downloads na Google Play Store, o que amplia significativamente o impacto potencial da ação.
A guerra híbrida já começou
O episódio reforça um padrão cada vez mais evidente: conflitos armados modernos não acontecem apenas em território físico. Eles se expandem simultaneamente para o ciberespaço, onde ataques podem atingir comunicação, energia, finanças e até a percepção pública em questão de minutos.