A Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), principal órgão responsável pela defesa cibernética dos Estados Unidos, estaria operando em condições críticas, segundo parlamentares de diferentes partidos e líderes da indústria de segurança digital. A preocupação central é que a agência possa não estar preparada para responder adequadamente a uma grande crise cibernética.
De acordo com apuração do site CyberScoop, fontes ligadas ao Congresso, ao setor privado e à comunidade de segurança apontam que a CISA sofreu impactos significativos após cortes orçamentários e demissões ocorridas durante o primeiro ano do governo do presidente Donald Trump.
Estimativas indicam que a agência perdeu cerca de um terço de sua força de trabalho nesse período, resultando na descontinuação de programas estratégicos e na saída de profissionais especializados. Entre as iniciativas afetadas estão projetos voltados ao combate ao ransomware e ações destinadas a incentivar o desenvolvimento de softwares mais seguros.
A redução também atingiu equipes responsáveis pela segurança eleitoral — área sob responsabilidade direta da CISA — conforme já havia sido reportado anteriormente pelo TechCrunch. Analistas apontam que as reiteradas alegações infundadas sobre fraude nas eleições de 2020 contribuíram para a perda de prioridade política da agência dentro do governo.
Além dos cortes, centenas de funcionários foram realocados para apoiar outras divisões do Departamento de Segurança Interna, especialmente em operações ligadas à política migratória federal.
Parte das críticas também recai sobre a liderança atual da agência. O diretor interino Madhu Gottumukkala teria enfrentado dificuldades administrativas e operacionais desde que assumiu o cargo. A CISA permanece sem um diretor permanente desde o início do atual mandato presidencial em 2025.
O cenário se agravou com a paralisação parcial do governo federal dos EUA, iniciada em 14 de fevereiro, que reduziu ainda mais a capacidade operacional da agência. Atualmente, a CISA estaria funcionando com aproximadamente 38% de seu efetivo total.
Mesmo diante das limitações, Gottumukkala afirmou ao TechCrunch que a agência segue comprometida com a proteção das redes federais contra ameaças digitais, apesar das restrições impostas pela paralisação administrativa.
O momento expõe um paradoxo moderno: enquanto ataques cibernéticos se tornam mais frequentes e sofisticados, a principal linha de defesa digital de uma das maiores potências tecnológicas do mundo enfrenta justamente uma crise interna de recursos, liderança e continuidade operacional.