Se montar um PC ou fazer upgrade já estava doendo no bolso por causa da alta nas memórias RAM, a próxima vítima da crise deve ser o mercado de SSDs. Segundo a Kioxia, uma das maiores fabricantes de memórias do mundo, os modelos de 1 TB com preços acessíveis estão perto de virar coisa do passado.
O alerta veio de Shunsuke Nakato, diretor-geral da Unidade de Negócios de Memórias da empresa, em entrevista ao site sul-coreano Digital Daily. De forma direta, ele afirmou que a produção prevista para este ano já está totalmente comprometida e que não há mais espaço para manter os valores baixos. Nas palavras do executivo, acabou a era dos SSDs de 1 TB custando cerca de 7.000 ienes, algo em torno de R$ 250.
IA pressiona a indústria de memória
O cenário tem um culpado bem definido: a corrida global por infraestrutura de inteligência artificial. Data centers focados em IA consomem volumes gigantescos de chips de memória, tanto RAM quanto NAND, usada em SSDs. Com isso, fabricantes priorizam contratos mais lucrativos com o setor corporativo, deixando o mercado consumidor em segundo plano.
Mesmo não sendo tão popular entre o público brasileiro, a Kioxia tem peso no jogo. A empresa nasceu em 2019 após a separação da Toshiba Memory e hoje é uma das principais fornecedoras de chips NAND do planeta. A liderança ainda é da Samsung, com cerca de 31% do mercado, mas a Kioxia aparece logo atrás, com aproximadamente 17%, sendo conhecida por fornecer componentes usados em SSDs de várias marcas famosas no varejo global.
Preços já subiram e a tendência é piorar
Embora a RAM esteja sentindo o impacto primeiro, os SSDs também fazem parte da cadeia crítica de servidores e data centers. A expectativa do mercado é de aumentos graduais ao longo dos próximos meses, sem sinais de que as fabricantes pretendam ampliar a produção voltada ao consumidor final.
No Brasil, os efeitos já são bem visíveis. Até 2024 e início de 2025, ainda era relativamente fácil encontrar SSDs NVMe de 1 TB na faixa de R$ 250 a R$ 350. Hoje, a realidade mudou: modelos simples de 512 GB já aparecem a partir de R$ 400, enquanto versões maiores começam a sumir das prateleiras.
Um exemplo claro é o Kingston NV3. Em fevereiro de 2025, a versão de 1 TB custava cerca de R$ 450. Atualmente, o mesmo modelo já ultrapassa os R$ 800. SSDs PCIe Gen 5, que antes já eram raros, ficaram ainda mais difíceis de encontrar e muitos passaram da marca dos R$ 3.500.
A situação das memórias RAM segue o mesmo roteiro. Um módulo DDR4 de 8 GB já passa fácil dos R$ 350, enquanto kits DDR5 mais avançados, voltados ao público entusiasta, podem custar entre R$ 14 mil e R$ 20 mil, dependendo da marca e da frequência.
Comprar agora pode sair mais barato
Para quem pretende montar um PC novo ou fazer upgrades em 2026, o recado da indústria é claro: esperar pode custar caro. Os estoques devem ficar mais enxutos nos próximos meses, a oferta tende a diminuir e os preços dificilmente vão recuar no curto prazo. Fabricantes como a própria Kingston já vêm alertando que o pior ainda pode estar por vir.
Em resumo, se o plano envolve SSD novo ou mais memória no PC, o “depois eu vejo” pode acabar virando “agora não dá mais”.