Rate Limiting: o que é, por que usar e como proteger aplicações e APIs

Em sistemas web modernos, é normal que um mesmo cliente — seja um usuário, bot ou outro serviço — faça várias requisições em poucos segundos. O problema começa quando esse volume foge do controle: servidores sobrecarregados, APIs lentas e até quedas completas do sistema entram em cena. É exatamente aí que entra o rate limiting.

Rate limiting, ou limitação de taxa, é uma estratégia usada para controlar quantas ações um cliente pode executar dentro de um intervalo de tempo. Isso vale para tentativas de login, chamadas de API, buscas, uploads ou qualquer outro tipo de requisição. A ideia é simples: colocar um limite claro para evitar abusos e manter tudo funcionando de forma estável.

Apesar de ser uma técnica muito eficiente, vale reforçar: rate limiting não resolve todos os problemas relacionados a bots e ataques automatizados. Ele é uma camada importante de proteção, mas não deve ser a única.

Que tipos de ataques o rate limiting ajuda a mitigar

A limitação de taxa é amplamente usada para reduzir impactos de atividades automatizadas maliciosas. Entre os principais cenários estão ataques de força bruta, em que bots tentam milhares de combinações de senha, ataques de negação de serviço (DoS e DDoS), onde o objetivo é derrubar o sistema pelo volume de requisições, e a raspagem de dados, muito comum em sites e APIs públicas.

Além disso, o rate limiting também é essencial para evitar o uso excessivo de APIs, mesmo quando não há má intenção. Um cliente mal configurado pode consumir recursos demais e afetar todos os outros usuários.

Como funciona a limitação de taxa na prática

Na maioria dos casos, o rate limiting é implementado na camada da aplicação, não diretamente no servidor web. O mecanismo mais comum é rastrear quem está fazendo as requisições e com que frequência isso acontece. Para isso, o endereço IP costuma ser o identificador principal.

O funcionamento é direto: o sistema mede o número de requisições vindas de um mesmo IP dentro de um período definido. Se o limite for ultrapassado, novas requisições são bloqueadas temporariamente. Em termos simples, a aplicação está dizendo “calma aí, diminui o ritmo”.

É uma lógica parecida com um radar de velocidade. Você pode acelerar um pouco, mas se exagerar, vai ser parado.

O papel do endereço de IP

O endereço de IP é o identificador único de um dispositivo na internet. Ele funciona como um endereço residencial digital, permitindo que dados sejam enviados e recebidos corretamente. Um exemplo clássico de IPv4 é algo como 198.41.129.1.

Na maioria das conexões domésticas, esse IP não é fixo. Os provedores distribuem endereços dinamicamente, o que significa que o mesmo usuário pode ter IPs diferentes ao longo do tempo. Mesmo assim, o IP continua sendo uma forma prática e eficiente de identificar padrões de uso abusivo.

Por isso, muitas soluções de rate limiting usam o IP como chave principal para aplicar restrições.

Rate limiting em páginas de login

Um dos usos mais comuns do rate limiting é em telas de autenticação. Quando um usuário erra a senha várias vezes seguidas, o sistema pode bloquear temporariamente novas tentativas.

O objetivo não é punir quem esqueceu a senha, mas impedir ataques de força bruta, nos quais bots testam milhares de combinações até acertar. Se o sistema permite apenas poucas tentativas por hora, esse tipo de ataque se torna estatisticamente inviável.

A limitação pode ser aplicada por IP, por nome de usuário ou, idealmente, por uma combinação dos dois. Usar apenas IP facilita contornos com botnets. Usar apenas o nome de usuário expõe contas conhecidas a ataques vindos de um único endereço. Combinar ambos reduz bastante o risco.

Como o rate limiting funciona em APIs

APIs são a espinha dorsal de praticamente toda aplicação moderna. Sempre que uma API responde a uma requisição, há custo computacional envolvido. CPU, memória e tempo de execução não são grátis.

Por isso, serviços que oferecem APIs quase sempre impõem limites de uso, como um número máximo de chamadas por hora ou por dia. Isso evita abusos, garante previsibilidade de custos e mantém a qualidade do serviço.

Além disso, esses limites também funcionam como proteção contra ataques automatizados. Um bot pode tentar derrubar um serviço simplesmente disparando milhares de chamadas de API em sequência. O rate limiting corta esse comportamento antes que ele cause um impacto maior.

Rate limiting em redes sociais

Plataformas como X (antigo Twitter) e Instagram usam rate limiting de forma agressiva, principalmente para aplicativos de terceiros. Esses apps só podem consultar dados, publicar conteúdos ou atualizar feeds um número limitado de vezes por hora.

Quando esse limite é ultrapassado, surgem mensagens como “limite de taxa excedido”. Não é bug, é proteção.

Rate limiting não é o mesmo que gerenciamento de bots

Embora estejam relacionados, são conceitos diferentes. O rate limiting é focado em quantidade e frequência de requisições. Ele não entende comportamento, apenas números.

Já o gerenciamento de bots vai além. Ele analisa padrões, usa aprendizado de máquina e tenta diferenciar bots legítimos de bots maliciosos. Soluções mais completas conseguem bloquear ataques como preenchimento de credenciais, spam automatizado e abuso de formulários, algo que o rate limiting isolado não resolve.

Por que usar rate limiter em aplicações

Aplicar rate limiting é uma boa prática por vários motivos. Ele ajuda a proteger contra abusos e ataques, garante uso mais equilibrado dos recursos do servidor, melhora a performance geral do sistema e evita que alguns poucos clientes prejudiquem a experiência dos demais. Em termos de segurança, também dificulta tentativas automatizadas de exploração de falhas.

Diferentes formas de aplicar rate limiting

O IP é a abordagem mais simples, mas não é a única. Em APIs autenticadas, é comum limitar por token JWT ou OAuth. Em integrações entre serviços, o uso de client ID ou chave de API costuma ser mais eficaz. Aplicações com sessões podem limitar por identificador de sessão, enquanto endpoints críticos podem ter limites específicos por rota.

Cada estratégia tem vantagens e limitações, e o ideal é combinar abordagens conforme o contexto da aplicação.

Rate limiting é uma técnica essencial para qualquer aplicação moderna. Ele não substitui soluções avançadas de segurança, mas funciona como uma linha de defesa fundamental contra abusos, ataques automatizados e sobrecarga de recursos.

Quando bem configurado, ajuda a manter a aplicação estável, segura e com uma experiência de uso muito mais previsível, mesmo sob alto tráfego.