Um erro no sistema de reconhecimento facial Smart Sampa, utilizado pela Prefeitura de São Paulo, resultou na detenção indevida de um morador da capital em quatro ocasiões ao longo de sete meses, conforme reportado pelo g1. Mesmo sem qualquer envolvimento criminal, Ailton Alves de Sousa, que atua como coordenador de departamento pessoal, foi levado à delegacia em todas as abordagens. A situação mais recente aconteceu enquanto ele acompanhava a mãe a uma consulta médica, gerando constrangimento e preocupação.
O motivo das detenções é a associação equivocada feita pelo sistema, que identifica Ailton como um foragido da Justiça acusado de homicídio no estado do Mato Grosso — local que ele afirma nunca ter visitado. Apesar de possuírem nomes semelhantes, existem divergências claras entre os dois, como a grafia do sobrenome (com “s” no caso de Ailton e “z” no do suspeito), além de diferenças nas datas e locais de nascimento, e também nos dados familiares.
Outro fator que pode ter contribuído para o erro é a ausência de foto no mandado de prisão do verdadeiro suspeito, o que teria levado o sistema a vincular indevidamente o rosto de Ailton ao cadastro. Mesmo após a primeira ocorrência, o advogado do coordenador solicitou a correção dos dados junto à Prefeitura e à Justiça, mas as abordagens continuaram acontecendo. Enquanto a situação não é resolvida, ele relata viver com receio constante de novas detenções.
A Prefeitura de São Paulo afirma que o problema não está no sistema Smart Sampa, alegando que os dados utilizados vêm de bases externas, como o Judiciário. Já a Secretaria da Segurança Pública informou ter acionado o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável pelo Banco Nacional de Mandados de Prisão, para corrigir a inconsistência e remover os dados incorretos.
O caso não é isolado. Um estudo realizado pelo Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN), em parceria com o Instituto de Referência Negra Peregum e a Rede Liberdade, identificou falhas no uso da tecnologia. A pesquisa aponta pelo menos 23 prisões indevidas relacionadas ao reconhecimento facial, além de 82 casos em que pessoas foram presas e posteriormente liberadas, evidenciando riscos e limitações desse tipo de sistema.